24/02/2015

[Report] Earth Drive | apresentação do EP "Known By The Ancients" @ Sabotage Club

A noite da capital preparou-se para receber sonoridades rock. O céu tingido de cinzento apenas timidamente cumpriu as ameaças de chuva, o Cais de Sodré apresentava a sua vitalidade habitual, não sucumbindo à soturnidade das noites de inverno e o Sabotage club abria portas para a apresentação do EP Known By The Ancients dos nacionais Earth Drive.

Aproveitando a presença do guitarrista Hermano Marques junto da porta da sala ainda antes desta abrir, tempo para uma flash-interview para falarmos um pouco da banda e do novo EP, que podem ler no final deste artigo.

A acompanhar os Earth Drive estavam os The Kafkas, a banda Lisboeta apadrinhou a festa dos Earth Drive com o seu indie-rock. 
Subiram ao palco cerca das 23h20 ainda com a casa bastante despida de público, não estariam mais de 30 pessoas, e anunciaram de imediato que vinham contar uma história, a história do seu futuro e muito conceptual álbum a sair em abril. Portanto com uma set list centrada no próximo álbum, iniciaram por ‘Boats’ e logo se percebeu que o som da banda é muito heterogéneo, flutuando entre várias influências, fundindo momentos mais pesados com melódicos, através de uma bateria bem ritmada, guitarras complexas, baixo groove e teclado psicadélicos. 
Seguiu-se ‘Tropicalia’ ainda sem que conseguir grandes reações num público que se mostrava tímido. O vocalista João Garcia parece por vezes ser ele a impor o ritmo das canções com a sua voz, mostrando se também muito competente na guitarra produzindo bons riffs e solos bem acompanhados pelo guitarrista\teclista Daniel Figueiredo. O tema ‘Shere Khan’ terá sido aquele mais capaz de quebrar a timidez do público, ainda antes de ‘Blue Jungle Lights’ ter definitivamente inundado a sala com tonalidades psicadélicas, que haveriam de continuar até ao final do espetáculo.

Faltavam cerca de 10 minutos para a 1 da manhã quando os Earth Drive subiram ao palco para apresentarem o seu novo trabalho. São talvez um dos segredos do rock nacional, desconhecidos ainda para muitos mas com uma evidente qualidade e originalidade do seu Stoner Rock psicadélico. 
A sua música vai soando entre o peso e a melodia e a sensualidade, com deliciosas variações de ritmo e momentos que nos remetem para universos paralelos. Sem supressa, em noite de apresentação de trabalho novo, tocaram todo o EP Known By The Ancients ao qual juntaram os temas mais antigos ‘Western Spirit’ e ‘Standing Stone’. E foi por este último que iniciaram, logo a seguir à intro perante uma casa já muito bem composta, tendo logo de início arrancado aplausos. Seguiu-se ‘Nostromo’ e se ainda existiam dúvidas que tínhamos transitado para uma fase mais energética da noite, foram instantaneamente dissipadas, tendo o tema libertado uma descarga de energia. 
Evidentemente os seus riffs pesados e bateria pulsante agradavam ao público presente mas era a vocalista Sara Antunes que centrava as atenções, reclamando o palco como o seu habitat natural, sempre muito teatral, a musica parece fluir pelo seu corpo e a sua bela voz, capaz de suar melódica e agressiva eleva e completa o som da banda. O guitarrista Hermano Marques empresta em momentos chave a sua voz agressiva às sonoridades produzidas completando com mestria o jogo de diferentes tonalidades dos temas. Os temas tocados com energia, foram desfilando ao longo do set e a satisfação estampada no público era a prova da aceitação e qualidade do novo trabalho. Quando a última nota de ‘Time Machine’ ecoou na sala deram por terminado uma atuação muito aplaudida.


Finda a noite era hora de abandonar a pequena mas acolhedora sala do Sabotage Club apenas com um reparo negativo à iluminação do palco, mas com a certeza que o bom rock nacional está bem vivo, tem salas, tem público e muito boas bandas. 

FLASH INTERVIEW

Songs For The Deaf Radio: Apresenta a banda a quem ainda não vos conhece?
Hermano MarquesSomos uma família de 4 pessoas que trabalham juntas. Luis Eustáquio na bateria, Luis Silva no baixo, Sara Antunes na voz e Hermano Marques na guitarra e voz. Mas não somos apenas nós os quatro mas sim a soma de todos o que já passaram pela banda e de todos os que nos têm ajudado no nosso caminho e os que continuam a trabalhar connosco.
SFTD: Como estão a ser as reações ao vosso E.P.?
HM: Temos tido um bom feedback de algumas pessoas que nos vão falando pelo facebook e de outras que vamos encontrando e nos falam sobre o EP. Recebemos também uma review do blog Ride with the devil muito positiva. Estas reacções provocam em nós mais responsabilidade para trabalharmos e correspondermos às expectativas. O nosso compromisso é de facto uns com os outros dentro da banda mas à medida que vamos tendo feedback a este nível aumenta a nossa responsabilidade e o compromisso também com quem dedica o seu tempo à banda.
SFTD: Qual a evolução entre os vossos trabalhos anteriores e o novo E.P.?
HM: Acreditamos que o Ep anterior também continha bons temas no entanto nunca tiveram tempo de ser “polidos” convenientemente. Foram gravados e misturados noutras condições que afectaram o resultado final. No Ep actual tivemos um cuidado diferente e a dedicação foi um pouco mais elevada o que se traduz sempre num melhor resultado. Respondendo mais objectivamente sentimos que foi o trabalho, a dedicação e o compromisso entre todos os envolvidos no processo que deram origem a um melhor trabalho
SFTD: Porque escolheram “Raid” como tema de avanço, consideram que é o tema que melhor define o E.P. ?
HM: Não sentimos que seja o tema que melhor define o som da banda. Isso foi de facto algo que nos preocupou um pouco, mas seria o tema que na altura estava a ter maior impacto emocional em nós relativamente ao conteúdo da letra. Haveriam talvez outros temas que abrangeriam uma variedade maior de texturas sonoras que estão presentes na maioria dos temas da banda mas pelas razões referidas escolhemos a raid.
SFTD: Porque da escolha do nome “Known by the Ancients” ?
HM: O nome em conjunto com o Artwork escolhido para a capa do disco simboliza apenas uma relação mística com o conhecimento dos nossos antepassados. É só uma frase que nos inspira e permite respeitar as nossas origens para que nunca esqueçamos de onde viemos e de que forma isso nos influenciou a ser o que somos quer a nível pessoal quer em termos de grupo.
SFTD: Projetos futuros?
HM: Neste momento estamos muito motivados para continuar a apresentar o Ep ao vivo sempre que tivermos oportunidade. Isso faz parte do nosso projecto actual e é esse que está em desenvolvimento e temos de manter o foco nisso. No entanto vamos sonhando com algumas ideias para que as possamos tornar em projectos concretos e exequiveis no futuro.

Texto: Henrique Duarte
Fotos: Natália Cipriano
Agradecimentos: Music in My Soul  

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