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17/12/2018

[Report] Daniel Cavanagh (Anathema) em Lisboa

No palco do RCA Club apenas se visualizava uma guitarra e um tripé. Poderíamos pensar que se iria tratar de um concerto algo despido ou vazio musicalmente, mas enganámos-nos redondamente.

Pouco passava das 21h30 da passada sexta feira, 14 de Dezembro, quando Daniel Cavanagh, um dos mentores e fundadores dos Anathema subiu ao palco, para desassombradamente despir muitas das músicas que escreveu ao longo dos anos, e com um à-vontade natural de quem já faz este tipo de concertos há alguns anos, cativando de imediato a plateia, já bem composta por essa altura, com a sua simplicidade e excelente humor. 

11/08/2016

[Report] VOA Heavy Rock Festival 2016

Naquela que já é uma tradição, a  Songs For The Deaf Radio marcou mais uma vez presença no festival de verão organizado pela Prime Artists, desta vez em Corroios com o nome VOA Heavy Rock Festival. Em ano de mudança, contestações, amores e ódios, não se admitiria erros e a organização mostrou-se à altura do desafio, mostrando que a experiência é também no seio da organização de eventos de metal uma enorme virtude. Mas centrando-nos no que realmente importa, a música, o primeiro dia, sexta-feira dia 5 de agosto, trazia a palco grupos de cinco países diferentes, cobrindo um vasto leque de géneros de metal. 

27/07/2016

O VOA Heavy Rock Festival está a chegar! Tudo o que precisas saber aqui:

O ano de 2016 é um ano de mudanças no que toca aos festivais metálicos nacionais: o Vagos Open Air desceu à margem sul e transformou-se no VOA Fest, agendando dois dias de muito metal na Quinta da Marialva em Corroios.

VOA FEST está a chegar! Tudo o que precisas saber está aqui:

O ano de 2016 é um ano de mudanças no que toca aos festivais metálicos nacionais: o Vagos Open Air desceu à margem sul e transformou-se no VOA Fest, agendando dois dias de muito metal na Quinta da Marialva em Corroios.

14/01/2016

Vagos Open Air dá lugar ao VOA, este ano em Corroios, e anuncia primeiras bandas

Numa comunicação por parte da organização, Prime Artists, que surpreendeu os habituées do festival que se realiza desde 2009 na vila de Vagos, em Aveiro, foram informadas as novas datas, local e bandas já confirmadas para o VOA 2016.

12/10/2014

[Report] Anathema + Mother's Cake @ Paradise Garage, Lisboa

A chuva resolveu dar tréguas a quem se deslocou a Alcântara para assistir a mais um regresso dos Anathema a Portugal, desta feita para mostrar o mais recente trabalho, 'Distant Satellites'.
Numa noite com lotação esgotada já anunciada, previa-se a romaria das grandes noites do Paradise Garage, e foi isso mesmo que aconteceu. A abertura das portas deu-se pouco depois das 20h, mas a entrada a conta-gotas, devido ao controlo de segurança revelava-se insuficientemente rápida para que todos pudessem assistir ao concerto de abertura.

04/04/2014

Anathema editam novo álbum em Junho e regressam a Portugal

"Distant Satellites" é o título do novo álbum dos Anathema, que vai ser editado no dia 9 de Junho deste ano.
O sucessor de "Weather Systems" (2012) foi gravado em Oslo, na Noruega, nos estúdios Cederberg com o produtor Christer-André Cederberg. Algumas misturas foram realizadas por Steven Wilson (Porcupine Tree).
O artwork da obra foi realizado pelo coreano Sang Jun Too, que se baseou na sua obra Distant Light Installation.

A banda disponibilizou, na página oficial do facebook, o seguinte comunicado:

"Distant Satellites" é o culminar de tudo o que os Anathema têm vindo a trabalhar, até agora, na sua carreira. Contém, quase, todos os elementos imagináveis da pulsação da música dos Anathema que é possível ter.
Existe beleza, intensidade, drama, quietude e extras dimensões musicais que a banda apenas deu um palpite, anteriormente. Tudo construído através da química do Daniel, do John e do Vincent durante a escrita das canções... e da voz assombrada de Lee Douglas.
Produzido e misturado, mais uma vez, por Christer-André Cederber, com algumas músicas misturadas pelo intangível Steven Wilson. É uma edição única e especial para a banda.
Os Anathema desejam que os fãs sintam alegria ao ouvir a música, como nós ao criá-la."

"Distant Satellites" é editado através da companhia discográfica Kscope.


A banda confirmou uma tour europeia que servirá de suporte ao novo álbum, intitulado "Satellites Over Europe". Portugal não ficou fora da lista. Os Anathema estarão no Paradise Garage, em Lisboa, a 10 de Outubro e no Hard Club, no Porto, a 11 de Outubro.

20/11/2012

Anathema ao vivo Radio 3 (Espanha)

A apresentação, em formato acústico, dos Anathema no programa "Los Conciertos de Rádio 3" (Espanha), no mês passado, dias depois de terem passado pelo nosso país, foi emitida esta noite na TVE2. Vejam aqui na íntegra :
Setlist :
-Untouchable Part I
-Untouchable Part II
-Thin Air
-Dreaming Light
-Closer

Notícias relacionadas :  Daniel Cardoso, o novo membro de Anathema | Report concerto Anathema + Astra em Lisboa | Entrevista Daniel Cardoso (Anathema)

07/11/2012

Daniel Cardoso - o novo membro permanente de Anathema


É oficial: Daniel Cardoso é o novo membro fixo de Anathema!

As palavras de Daniel Cavanagh em entrevista à Prog Magazine não deixam dúvidas: 
"Os Anathema estão felizes e orgulhosos por anunciar que Daniel Cardoso está a juntar-se à banda de forma permanente, como um elemento-chave da nossa equipa musical."
O produtor e músico português, que tem acompanhado a banda nas suas Tours Mundiais como teclista, é considerado por Cavanagh como um músico muito completo e com uma extrema sensibilidade musical. Diz ele que "... a ideia de trabalhar mais próximo dele foi crescendo na minha mente há algum tempo." E acrescenta: " Eu simplesmente adoro a maneira dele tocar e nós compartilhamos a mesma sensibilidade e compreensão das músicas e de como elas devem soar. Então cheguei à conclusão que o melhor para os Anathema, tanto no estúdio como na estrada, é com Daniel no line up, em tempo integral."


Daniel Cavanagh confirma ainda que a mais valia de Cardoso para a banda é o seu talento musical e o facto de ser multi-task. Ele continuará atrás das teclas e sintetizadores, mas irá dar os seus toques de bateria sempre que alguma música pedir um estilo diferente. Acredita ainda que esta nova integração levará a música de Anathema ao seu limite.

Resta-nos desejar muita sorte nesta nova etapa profissional de Daniel Cardoso!

Entretanto relembramos a entrevista que deu à SFTD Radio aquando a passagem de Anathema por Portugal: 

22/10/2012

Anathema+Astra @ Paradise Garage, 20/10/2012

O Paradise Garage esteve ao rubro durante as duas horas do concerto dos Anathema, no passado sábado dia 20 de Outubro. Foi uma noite intensa, repleta de energia, de sentimentos e vibrações constantes transmitidas pela banda e correspondidas pelo público.

A porta abriu cedo mas o número de pessoas que afluíram ao concerto foi de tal forma extenso que apesar de estarem sempre a entrar, a fila no exterior ia-se mantendo. À porta do tour bus, parqueado em frente ao espaço, estava Daniel Cavanagh, guitarrista da banda, que ía dando música com um pequeno leitor que tinha na mão, aos que aguardavam para entrar no espaço. Quando a banda de abertura começou a tocar já o espaço estava cheio mas ainda havia umas quantas dezenas de pessoas na rua por entrar.

Astra
Astra foi a banda que deu início à noite que se aguardava promissora. Vieram da Califórnia e trouxeram um som de rock progressivo e maioritariamente instrumental. Tocaram durante cerca de 40 minutos e apresentaram quatro temas. Não deixaram o público indiferente, apesar de serem aparentemente desconhecidos para a grande maioria.




Foi às 22h que a Intro para Anathema soou. Uma grande ovação encheu o espaço quando os elementos da banda entraram em palco. Untouchtable Part 1, do seu último álbum e mote desta tour, Weather System, foi o tema escolhido para o início do concerto. As palmas iam ecoando ao som da música e as vozes uniam-se com a banda numa sinfonia perfeita continuando assim pela Part 2 do mesmo tema. Seguiram-se temas do seu álbum anterior, We’re Here Because We’re Here intercalados com os de Judgment, sempre acompanhados pelo público.

Daniel Cardoso
Após Wings of Gods, Daniel Cavanagh, menciona um gig acústico que fez em Braga há quatro anos atrás e que alguém foi ter com ele dizendo que havia um músico que gostava de tocar com eles e ele disse que sim. Apresentou então esse músico, Daniel Cardoso, o membro português que está a acompanhar a banda em tour. Acrescentou ainda que apesar de ele próprio parecer mais novo do que é na realidade, já anda no mundo da música há uns bons anos e que Daniel é sem dúvida o melhor músico que já conheceu. Após um forte aplauso, seguiram com Simple Mistake.

John Douglas
Tocaram Lightning Song e foi o momento escolhido para Daniel Cavanagh dirigir-se de novo ao público, desta vez para dizer que não sabe se acredita no Destino, nas coisas que estão previstas de acontecer, mas que quando tinha 11 anos sentou-se pela primeira vez ao lado de John Douglas por causa de ficarem sentados por ordem alfabética na sala de aula. Será que era porque era mesmo assim que teria de acontecer? A verdade é que 30 anos depois continuam juntos e a compor temas como o que se seguiu, The Storm Before The Calm.

O concerto estava a aproximar-se do fim e a intensidade que se ia fazendo sentir do palco e correspondido pelo público era gigante. Durante todo o concerto as centenas de vozes iam-se unindo com a música, em perfeita harmonia, apesar do som bem alto mas sempre perfeitamente nítido e equilibrado.

Vincent Cavanagh
Em Natural Disaster foi a vez de Vincent Cavanagh pedir que a iluminação fosse feita apenas pelos isqueiros, telemóveis ou até mesmo iPads, conforme ele conseguiu identificar do palco, a iluminar o espaço. A voz de Lee Douglas unida com a assistência, arrepiou.  Terminaram com Flying, do mesmo álbum da música anterior e o público mais uma vez não ficou indiferente. No refrão as vozes uniram-se de novo e não houve dúvidas que a noite estava a ser intensa, tanto para a banda como para o público.

Saíram do palco mas o regresso foi quase imediato. Para o Encore optaram por tocar One Last Goodbye, tema este que só tocam em momentos especiais, e terminaram com Fragile Dreams.

Após as despedidas e a saída final da banda, o público não quis ir embora e continuou a chamar pelos Anathema que apesar dos pedidos do público já não regressaram. Foi um concerto sem dúvida inesquecível para os fãs presentes.

Por: Miriam Mateus
Veja todas as fotos na página do facebook

Fica aqui uma pequena amostra da comunhão entre a banda e o público, na fantástica Flying :


Esta é a setlist daquela noite :

17/10/2012

Anathema em Portugal : Entrevista a Daniel Cardoso

Os Anathema vão regressar a Portugal para a apresentação do seu último álbum Weather Systems nos próximos dias 19 e 20 de Outubro no Hard Club no Porto e no Paradise Garage em Lisboa. Aproveitámos então este momento para fazer uma entrevista de fundo ao teclista Daniel Cardoso que integra a formação dos Anathema nesta digressão. 


Songs For The Deaf Radio: Como tudo começou e o que te fez ingressar no mundo da música?
Daniel Cardoso
Daniel Cardoso: Começou com um miúdo teimoso que percebia a música de forma diferente. Curiosamente nunca teve como objectivo ingressar no mundo da música (usando as tuas palavras), principalmente porque isso foi durante muito tempo uma espécie de sonho inalcançável, ou pelo menos era essa a opinião das pessoas que foram influentes para mim durante o meu crescimento como pessoa e músico. Mas lá está, eu era um miúdo teimoso. E ainda sou. Dizerem-me que algo ia ser difícil era o melhor catalisador para eu efectivamente tentar e correr o risco de errar antes de desistir. Acho que pelo menos segui o caminho daquilo que sei ter sido sempre a minha vocação.

SFTD Radio: Para além de músico és também compositor e produtor. Destas actividades quais te dão mais prazer?
D.C.: Está tudo extremamente diluído em mim hoje em dia. Não só pela necessidade de subsistência mas também por um misto de gosto e hábito. Se fizer uma boa auto-análise do assunto, acho que pertenço aos palcos, sou um exibicionista e tenho aquele orgulho narcisista de me imaginar a ser visto pelos olhos do público. Mas se passo muito tempo na estrada sinto falta do trabalho semi-criativo e localizado de uma boa produção em estúdio, ou do trabalho totalmente criativo e intimista de estar em casa ao piano a compor um tema ou um álbum. Não vale a pena descrever as diferenças, acho que qualquer pessoa que quiser ler esta entrevista já as sabe à partida. Mas no meu caso complementam-se totalmente. Nunca poderia ser simplesmente um performer nem simplesmente um compositor. Tenho a vantagem e a maldição de poder ser efectivamente as três coisas.

SFTD Radio: Como designarias o género das tuas composições musicais?
D.C.: Os anos e a necessidade acabaram por me tornar o mais versátil possível. Actualmente consigo dar mais de mim numa produção que namore ali um bocadinho com o pop/ rock do que com o metal. Por consequência do meu excesso de trabalho dos últimos anos opto por não ouvir metal em casa. Produzi ou envolvi-me com tantas bandas de metal que acho que já nada me surpreende no género. Se quiser ouvir música para fins recreativos, gosto de coisas calmas. No fundo sou um gajo duro que precisa de encontrar alguma paz na música que ouve.

SFTD Radio: Para que tipo de bandas compões, e que relações estabeleces com as bandas?
D.C.: Que tenha qualidade, bom gosto, budget e estofo para suportar as minhas manias e a forma agressiva como às vezes defendo as minhas ideias. Não é para todos, felizmente.

SFTD Radio: Quando e como surgiu a ideia de abrir a Ultrasoundstudios?
D.C.: Quando começou a haver clientes que o justificassem. O meu investimento inicial foi feito unicamente para garantir as condições necessárias a que eu fizesse a minha música com qualidade suficiente para não depender de ninguém. No caminho acabei por me envolver na música dos outros e começou a dar-se o fenómeno bola de neve. Comecei a ter muitas propostas de trabalho para produções e a certa altura justificou-se um estúdio, até porque era um sonho de adolescente. Mas é um erro investir num estúdio hoje em dia. A indústria está retraída. Actualmente os USS estão franchisados a dois corajosos gerentes. Isso quer dizer que eu sou o dono da marca UltraSoundStudios mas os estúdios têm gestão independente desde que sigam as directrizes da marca. É uma espécie de McDonalds a uma escala microscópica e sem cheeseburguers.

SFTD Radio: A Ultrasoundstudios tem tido o feedback pretendido?
D.C.: Teve mais que o esperado durante alguns anos. Agora serve para os seus gerentes pagarem as contas e sobreviverem. Ninguém está a enriquecer ou a fazer dinheiro com isso.

SFTD Radio: Como consegues conciliar tudo, tens alguma estratégia?
D.C.: Nem por isso, vou conciliando. Sou muito "seize the day". Não costumo falhar em deadlines mas também não sou o melhor em termos de organização de horários e de calendário. Tenho a vantagem de me poder compensar com um time-off sempre que me apetecer e acho que é assim que funciono, por auto-compensação. Se o trabalho me correu bem num dia, posso tirar o dia seguinte para ver filmes, séries e ir a um bom restaurante jantar com os Slamo.

SFTD Radio: Tens mais algum projecto na manga?
D.C.: Tenho. O meu cérebro não pára e isso tem tanto de bom como de mau. Mas tenho alguns projectos megalómanos que duvido que alguma vez consiga convencer alguém a financiá-los. Sou o tipo de pessoa que se ganhar o euro milhões ainda vai acabar por fazer mais e trabalhar mais do que antes. Mas parar é morrer, sempre se disse por aí.

SFTD Radio: Parece que em Portugal és menos reconhecido que no estrangeiro, porque achas que isso acontece?
D.C.: O estrangeiro é um bocadinho maior que Portugal, portanto é normal que assim seja. Mas acho que individualmente não há muitos países em que tenha sido mais reconhecido do que em Portugal. Criei a minha carreira sempre de forma ligeiramente marginal portanto é normal que não ande nas bocas da imprensa nacional, mas dentro do meio musical nacional muita gente conhece o meu nome e suponho que tenham algum respeito por ele, coisa que agradeço. O que nunca tive em Portugal foi ter artistas locais de certo calibre a investirem em mim e a confiarem no meu trabalho como artistas de certo calibre de outros países já o fizeram.

SFTD Radio: O que achas que é necessário para mudar essa situação?
D.C.: Nada de especial. Se calhar não tem que mudar. Nunca me esforcei por procurar atenção no meu país. Sinceramente nunca me esforcei para procurar atenção em lado nenhum. As coisas são como são. Eu limito-me a fazer o meu trabalho o melhor possível e agarrar as oportunidades que me vão aparecendo. Nunca forcei o meu trabalho a ninguém nem nunca impingi o meu trabalho a ninguém. Eu simplesmente sigo o meu caminho e vou-me deixando assediar por pessoas que precisam da minha ajuda para seguir o caminho delas, musicalmente falando.

SFTD Radio: Sentes que é mais favorável teres o reconhecimento do público de forma a poderes ser mais valorizado pelo meio musical?
D.C.: Sim, acho importante existir esse reconhecimento, claro. Também sou um artista e um artista para ser artista precisa de algum público, senão é só um louco.

SFTD Radio: Em Novembro de 2010 os Anathema tocaram no Hard Club no Porto e escolheram os Slamo como banda de abertura, o que influiu nessa escolha?
D.C.: Eu na altura já era amigo da banda. Os Anathema perguntaram-me por uma banda local para fazer as primeiras partes em Portugal e Espanha, e os Slamo estavam à procura de concertos. Limitei-me a mostrar Slamo aos membros da banda encarregues de decidir qual seria a banda de abertura para esses concertos. Toda a gente gostou de Slamo e os Slamo gostaram ainda mais de fazer essas datas de abertura.

SFTD Radio: Sei que tocas vários instrumentos, e que tens tocado essencialmente teclas com os Anathema, mas tens alguma preferência?
D.C.: Em palco prefiro tocar bateria dez milhões de vezes. Tocar teclas não tem piada. Não me consigo exprimir fisicamente, não consigo dizer para mim mesmo "hoje vou partir isto tudo", e isso é importante para mim como performer. Sei que o meu papel em Anathema é importante e necessário. Mas sinceramente se comparar ser teclista em palco com ser baterista, odeio ser teclista. É mesmo aborrecido.

SFTD Radio: Já trabalhaste ou trabalhas com várias bandas, entre elas os Ramp, Heavenwood, SiriuS, Slamo, etc, que projectos tens actualmente?
D.C.: Trabalhei recentemente com Ramp em estúdio, fiz a mistura do próximo trabalho da banda. SiriuS acabou em 2002 ou 2003 acho eu. Heavenwood são uma boa banda que decidiu desligar-se de mim. Slamo são provavelmente os meus melhores amigos no meio musical. Acho que estamos amaldiçoados a não conseguir fazer música porque quando nos juntamos só queremos bons jantares, bons vinhos e vida boémia. O Tobel, vocalista de Slamo, quando ler isto vai já telefonar-me a mandar vir comigo e a dizer que temos é que ensaiar e fazer música. O que faz sentido tendo em conta que ele é efectivamente das pessoas mais talentosas que conheço. A maior dificuldade está em acertarmos as agulhas e a disponibilidade de ambos. No dia em que o universo se alinhar dessa forma, somos capazes de fazer um par de álbuns históricos.

Anathema no Vagos Open Air 2011
SFTD Radio: No Vagos Open Air 2011 tocaste pela primeira vez em Portugal com os Anathema, qual foi a sensação?
D.C.: Senti vergonha. Toquei com Anathema em países daqueles aos quais gostamos de chamar de terceiro-mundistas e nunca houve problemas técnicos ao nível dos que tivemos em Vagos. Toda a gente faz questão em todo o lado de proporcionar as melhores condições possíveis à banda. Depois chegamos ao meu país, num festival que comporta uma meia dúzia de milhar de pessoas e temos um gerador a falhar 3 ou 4 vezes durante uma actuação.

SFTD Radio: Como contornaram esses problemas técnicos?
D.C.: A banda teve muita paciência e boa postura, são boas pessoas e pensaram no público e nos fãs. Eu sinceramente senti vergonha. Sou o elemento mais novo na banda e não me cabe a mim ter algum tipo de postura decisiva. Mas se estivesse numa posição de liderança na banda provavelmente tinha feito alguma asneira tipo partir uma guitarra ou duas, na melhor das hipóteses. No fundo sei que a organização não agiu de má fé, mas custa-me um bocado que isto tivesse que acontecer no meu país. Parecemos uns totós que não sabem que tipo de amperagem ou de potência precisam para um gerador de um festival, ainda por cima um festival repetente.

SFTD Radio: Sentiste receptividade por parte do público português ou achas que essa receptividade tem sido mais intensa noutros países?
D.C.: Senti que a banda é bem recebida em Portugal, mas nunca ao nível de outros países. Os sul-americanos e os italianos são imbatíveis. Os iranianos também o são, e ainda estão sujeitos à prova de esforço extra de não poderem ver a banda no seu próprio país por causa da castração artística do governo local. Mas isso não os demove de terem que se deslocar aos mais variados países para nos verem. Concerto sim concerto não, há uma comitiva extremamente entusiasta vinda do Irão.

SFTD Radio: Até hoje qual foi o teu concerto favorito com os Anathema?
D.C.: Não sei bem, mas aquele que mais gostei foi na Tunísia, porque o John Douglas estava de férias e estava eu na bateria, hehe.

SFTD Radio: Desde Setembro estás em tour com os Anathema, como tem corrido?
Daniel Cardoso (foto : Caroline Traitler)
D.C.: A tour está a correr bastante bem apesar de alguns percalços. Abrimos com um concerto na Bulgária para a gravação do DVD oficial ao vivo. Foi um projecto megalómano, com a direcção artística do realizador dinamarquês Lasse Hoile. Foi num anfiteatro romano com uma orquestra de 36 elementos. Entretanto ao terceiro concerto perdemos o nosso técnico de som (curiosamente um português, embora residente em UK) por motivos familiares. Passado uma semana perdemos o nosso tour manager devido a problemas na empresa dele que o levaram a ter que abandonar a tour para garantir a subsistência da empresa. Mas foram feitas as devidas substituições e continuou tudo a rolar. Os shows têm sido muito bons, quase sempre esgotados e com um público incrivelmente dedicado

SFTD Radio: Quais são os teus objectivos para o futuro?
D.C.: Ganhar mais dinheiro e trabalhar menos. Não só porque estou a ficar velho mas também porque gostava de trabalhar mais por gosto e menos por necessidade de pagar as contas. Idealmente deveria ter só 2 ou 3 clientes muito bons e muito ricos por ano. Produzia 2 ou 3 best sellers, era bem pago e toda a gente ficava contente. Infelizmente a conjuntura económica do país e a realidade da indústria musical dão aos meus objectivos um contorno consideravelmente utópico. Mas que se lixe, não deixa de ser o ideal e vou trabalhar para isso.

SFTD Radio: Que conselho darias a alguém que tem vontade para entrar no mundo da música?
D.C.: Entrar conscientemente no mundo da música com sonhos de ter uma carreira artística hoje em dia só não é um erro se for feito por alguém com um talento muito acima da média ou com um trabalho extremamente inovador (ambos num plano comparativo à escala mundial), se for alguém com capacidade financeira e vontade de perder dinheiro ou ainda se for alguém com muito boas cunhas, embora isso raramente resulte a longo prazo se não houver talento. A música como profissão é um mau investimento. Não vale a pena espalharem emails com as tabelas sindicalizadas de cachets de músicos porque isso não é realista nos tempos em que vivemos. Também não vale a pena espalharem posts no facebook a dizer "se és músico não toques à borla" porque isso ainda é menos realista. Se queres crescer num meio extremamente competitivo e saturado como este, toca à borla. Toca à borla 3, 4 ou 20 vezes e mostra que és o melhor. Ainda há espaço, oportunidades e dinheiro para os melhores. Eu toquei muitas vezes à borla e agora anos mais tarde vou chegar a Portugal com uns milhares de euros no bolso por estar dois meses em tour com uma banda estrangeira de quem era fã quando tinha 15 anos e tocava à borla. Esse tocar à borla chama-se promoção. Mas só resulta se tiveres realmente um bom trabalho e qualidade para promover. Caso contrário estás no ramo errado, e podes continuar a estar, nada contra. Não podes é exigir que te paguem. Lamento.

Entrevista por: Miriam Mateus

Segue no Facebook : Anathema |  Daniel Cardoso | Songs for the Deaf Radio
Fotos de Anathema no Vagos Open Air | Caroline Traitler Photography
Post relacionado : Anathema anunciam novo trabalho

Os concertos, organizados pela Prime Artists, terão lugar no dia 19 de Outubro no Hard Club no Porto, e dia 20 no Paradise Garage em Lisboa, e contarão na primeira parte com os Astra, banda norte-americana de prog rock. Ainda há bilhetes (não muitos) à venda na Ticketline para ambas as datas.



31/01/2012

Anathema anunciam novo trabalho

O novo álbum de Anathema chamar-se-à Weather Systems e será lançado a 16 de Abril através da Kscope Music.
Será o sucessor do excelente We're Here Because We're Here (de 2010) que deixou a fasquia bem elevada para a banda. O guitarrista/vocalista Daniel Cavanagh acredita que vão ultrapassar essas altas expectativas uma vez que sente que a banda está num pico de criatividade. Nas suas palavras, tudo desde a escrita à produção e performance está um passo à frente do que já fizeram.  
Será um álbum de contrastes : luz e sombra, nascimento e morte, amor e medo, com a habitual estrutura melódica intensamente poderosa, mas simples.
O álbum foi gravado em Liverpool, Oslo e País de Gales, e irá agradar imenso aos fãs do desempenho da vocalista Lee Douglas, uma vez que a mesma terá uma maior participação, tornando-se assim uma das forças integrantes da banda.
Conhecendo a evolução da banda nos últimos anos não nos parece que fiquemos desapontados : tudo aponta para um dos grandes álbuns do ano a caminho.

(Actualização 14/03/2012) Esta é a nova 'The Beginning and The End"

08/08/2011

Reportagem do primeiro dia do festival Vagos Open Air 2011



A entrada em Calvão fez-se tranquilamente, mas à medida que nos aproximávamos do recinto do festival o movimento de carros e pessoas aumentou consideravelmente. Apesar dos lugares de estacionamento serem já escassos nas proximidades, lá encontrámos um recanto onde deixar o carro e caminhar em direcção ao espaço reservado para o festival. Chegados ao espaço, pudemos contemplar a bonita lagoa e os espaços verdes circundantes de onde se destacava uma esplanada já recheada de fãs em cujas T-Shirts podia ler-se Opeth, Anathema e Vagos Open Air 2011. Foi assim que foram aproveitando o sol que sorria agradavelmente naquele dia.

20/07/2011

Vagos Open Air 2011 (tudo o que precisas saber)

É já nos próximos dias 5 e 6 de Agosto que terá lugar em Vagos mais uma edição do maior festival de Metal em Portugal. O cartaz está mais forte e consistente a cada ano que passa, conseguindo superar a elevada fasquia colocada em cada uma das edições anteriores.
Depois de já terem passado por Vagos, entre muitos outros e bons, Dark Tranquillity, Amon Amarth, Katatonia, The Gathering, My Dying Bride, Meshuggah, Amorphis e Carcass, este ano teremos Anathema, Opeth, Morbid Angel e Tiamat como cabeças de cartaz.
  
Para quem for será útil saber os horários previstos para a actuação das bandas :


A Songs for the Deaf estará nas semanas que antecedem o festival a dar destaque às bandas presentes.


FESTA DE RECEPÇÃO AO CAMPISTA – QUINTA-FEIRA, 4 DE AGOSTO 
Para quem chega mais cedo ao recinto do festival, o Vagos Open Air reservou uma noite animada na tenda com a melhor música seleccionada pelo DJ convidado Pedro Gonçalves aka DJ MrKool (Rockódromo) e competição Air Guitar, com oferta de prémios.

TRANSPORTES AVEIRO (CP)-VAGOS
Faz o download dos horários do autocarro aqui .

EXCURSÕES:
  • Metalhead Events (Lisboa) - Infoline: 917800767 - email: metalhead.events@gmail.com
  • True Spirit’s Alive (Porto) - Infoline: 916281178 - email: truespiritsalive@gmail.com
  • Music Azevedo (Braga/Guimarães/Viana do Castelo/Santa Maria da Feira) - Infoline: 919783046 - email: musicazevedo@gmail.com
  • Break Point (Vigo - Espanha) - Infoline: +34 986 205588 - Website: www.breakpoint.es
  • Metal Trip (Madrid - Espanha) - Infoline: +34 91 7450566 - Website: www.metaltripshop.com
 Toda a informação está disponível no site do evento

Veja também: