20/10/2016

[Report] Apresentação de "Danse Macabre" dos Legacy of Cynthia @ RCA Club (com vídeos)

O RCA Club foi o local escolhido para a grande festa de lançamento do novo álbum dos Legacy of Cynthia, que assim apresentaram orgulhosamente, no passado sábado, o seu Danse Macabre, segundo trabalho de longa duração, com a chancela da Raising Legends Records. Para ajudar à festa, estiveram também presentes os Equaleft, Stonerust e Advogado do Diabo, e o resultado já se esperava: um fantástico evento cheio de boa energia, no qual foi notória a satisfação da banda anfitriã pela obra realizada.

À hora marcada, os Advogado do Diabo chegaram bem preparados para a festa e souberam fazê-la em palco: imbuídos do espírito punk, inquietaram o público que ainda digeria o jantar, provocaram o mosh, juntaram amigos perto do palco, cantaram com todos e, sobretudo, aproveitaram em pleno cada momento da atuação. A sala do RCA Club não contava ainda com muito público mas, quem chegou a horas, pôde fazer um excelente aquecimento para a grande noite que ainda agora começava. O vocalista Rui Kaiapo (muito bem vestido com a t-shirt da SFTD) misturou-se com a assistência e foi neste ambiente, entre amigos, que ouvimos temas como Ska dos Diabos e Puk. Comer, beber e conviver, é isso que gostamos de fazer, lá dizia o vocalista com o público em coro, e eles é que sabem.

Os Stonerust, banda de stoner – thrash metal, vinda de Cascais, não deixaram arrefecer a sala. 
Aliás, nem a bateria de Gi Lourenço o permitiria, pois bem ditou o ritmo e lá fomos conduzidos pelo som desta banda, que já conta com três EP editados, estando a preparar um álbum de compilação destes trabalhos com alguns temas novos. É o caso de Suicide Girl, no qual fixámos, entre outros, bons momentos de baixo e bateria. Destacamos ainda o tema Sangue Seco, que continua a ser um dos que preferimos. E, entretanto, a sala do RCA Club compunha-se e, por esta hora, já contava com uma assistência bem simpática.

Se é verdade que a festa era de Legacy of Cynthia, não é menos verdade que grande parte do público presente vinha também por Equaleft (as t-shirts vestidas bem o comprovavam). 
A banda do Porto dispensa apresentações e bastou-lhe estar no palco uns segundos para ficarmos dominados pelo som poderoso que já os distingue há mais de uma década. Miguel Inglês é o verdadeiro frontman, detentor de uma excelente presença, e teria o espaço quase todo por sua conta, não fosse a fantástica atitude do excelente baixista Miguel Seewald, que, de tanta satisfação, parece crescer no palco, ao longo da atuação.
 Equaleft é uma máquina bem montada, em que todos os elementos se harmonizam e cuja mestria não dá hipótese ao público, que se rende facilmente à pulsação forte da banda. Foi um excelente concerto, com lugar a muito headbang e boa resposta por parte do público. Temas como The Chameleons e Hymns of Obedience fizeram grandes momentos, como se pode verificar pelos vídeos realizados pela SFTD.

E chegou o momento da banda anfitriã subir ao palco. Os Legacy of Cynthia têm vindo a surpreender-nos desde o lançamento do Renaissance, em 2014, mas surgem agora refinados, com um trabalho mais elaborado, a exigir um ouvido atento aos vários pormenores que ajudam a compor o quadro do novíssimo Danse Macabre.
Tivemos direito à apresentação de grande parte dos treze capítulos que constituem este álbum, forçando-nos a mergulhar no ambiente negro e bizarro de onde parecem emergir os temas de Danse Macabre. O álbum lembra momentos de Dark Cabaret ou do género vaudeville do século XIX, que se compunha de atuações variadas, sem ligação entre si, com o propósito de entreter, através do espetáculo circense, burlesco, salpicado de grotesco e horror. Da mesma forma, é notória a heterogeneidade dos temas, tendo, cada um deles, uma sonoridade bastante diferente da dos restantes e conseguindo, por isso mesmo, surpreender. É o ambiente perfeito para Peter Miller, que soube sempre apresentar-se de forma desconcertante e que, mais uma vez, se vestiu a rigor, de casaco vermelho e chapéu de equitação, e se fez acompanhar dos mais variados adereços (o ceptro com caveira, em Villain; o realejo, em Monkey 27; o telefone, em Suicide Note). Todos estes elementos estão ainda associados ao dramatismo das suas interpretações, cujos gestos chegaram a ser imitados por alguns elementos na assistência que, por esta altura, já era bem numerosa.
Os temas de Danse Macabre foram, assim, apresentados com pompa e circunstância. Destacamos Walking Cadavers, um dos temas que preferimos pela sua carga melódica e força do refrão, e que nos fica rapidamente no ouvido. Um dos primeiros a ser apresentado, não desiludiu ao vivo, e convenceu rapidamente a assistência que nos pareceu, neste tema, definitivamente entregue à atuação , mantendo-se assim até ao final.
Também Darwinian se destaca por ser um tema bem conseguido, com uma mensagem forte, e The one eyed king, tema mais lento e denso, divulgado este mês, soube criar um ambiente reflexivo, provocado pelas perguntas sem resposta que nele estão contidas. Observámos a expressão de elementos do público, surpreendidos e simultaneamente embalados pela música.
Lygophilic, pertencente ao álbum Renaissance (2014) e Feet of Clay (Danse Macabre, 2016), criaram um dos grandes momentos do concerto, durante o qual se tornou minúsculo o espaço disponível para Peter Miller (que continua a movimentar-se perigosamente em palco), acompanhado por Miguel Inglês, em ambos os temas.
Finalmente, Cabaret fez terminar o concerto em ambiente de festa. Por si só, já se trata de um tema que quase faz apelo a um pezinho de dança, e a presença das duas senhoras em palco (Inês Freitas e Isabel Marques) ainda mais ajudou a descontrair a postura da banda e o ambiente na assistência, para além de acrescentar harmonia ao trabalho vocal que o tema exige.
 Há ainda espaço para elogiar o trabalho das guitarras, a bateria enérgica de Paulo Adelino e o lindíssimo artwork de Hugo Makarov para a capa e contracapa do CD.
O lançamento deste álbum marca uma nova etapa na carreira dos Legacy of Cynthia, na qual a banda, cada vez mais competente, dá a conhecer o resultado de um trabalho baseado em boas e surpreendentes ideias sobre como continuar a inovar no cenário metaleiro.
Citando o vocalista: Welcome to the world of Legacy.

Texto: Sónia Sanches
Fotos: Joana M.Carriço (todas as fotos brevemente na página SFTD Made in Portugal)
Vídeos: Nuno Santos
Agradecimentos: Raising Legends Records



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