08/10/2015

[Report] Festival Bardoada e Ajcoi 2015 (1º dia)

Peste & Sida @ Festival Bardoada e AJCOI
Mais uma vez, a Associação Juvenil COI e o grupo Bardoada (Grupo do Sarrafo) uniram esforços para a realização de mais uma edição do Festival Bardoada e Ajcoi, durante os dias 2 e 3 de outubro, no Espaço Contrafacção, no Pinhal Novo.
Já com duas edições anteriores, o Festival tem sido uma iniciativa de sucesso, tendo-se tornado um evento de referência que regista sempre melhoramentos ao nível do espaço e dos serviços. Este ano, notámos mais e melhor oferta nos “comes e bebes”, que só boa música não segura o metaleiro, e pudemos apreciar, mais reconfortados, as atuações do grupo de percussão Bardoada, que animaram o espaço exterior, nos intervalos entre os concertos.
O primeiro dia, dedicado ao punk e ao rock, contou com uma assistência que tardou em aparecer e que só encheu o espaço dos concertos já a meio do cartaz, ou não fosse uma sexta-feira, dia de trabalho. Não pudemos, pela mesma razão, assistir à atuação dos Escroto, banda de punk do Pinhal Novo, cuja presença confirma a intenção da organização de apoiar e divulgar os novos projetos de música locais. Este primeiro dia contou, assim, com as atuações das seguintes bandas: Escroto, Artigo 21, Branco, Moe’s Implosion, Um Zero Azul, Low Torque e, por último, os Peste & Sida, a encabeçar o cartaz.
Ainda com pouco público presente, subiram ao palco os Artigo 21, nada intimidados com a fraca afluência que, aliás, reagiu muito favoravelmente ao punk rock da banda. Fizeram bom uso das suas melodias simples e cativantes, que agarram facilmente o público, e protagonizaram um concerto animado, deixando o ambiente um pouco mais aquecido.


Seguiu-se Branco, para nós, a surpresa (agradável) da noite. Não esperávamos uma associação tão interessante entre o rock e o hip hop e, mais ainda, não contávamos ficar inebriados pelas notas do sampler, enquanto tentávamos, em simultâneo, absorver o conteúdo das letras. Como se isso não bastasse, ainda sentimos a força das guitarras a acompanhar a carga emotiva da mensagem. Se a qualidade do som tivesse permitido captar toda esta informação com maior definição, provavelmente, haveria lugar a arrepios. Guardámo-los para a audição do álbum de estreia “Camelot”, lançado este ano, e desta atuação, destacamos a faixa “Pnm” (Palavras não Magoam), da qual gostámos particularmente.

A atuação dos Moe’s Implosion já contou com casa um pouco mais composta. A banda do Montijo invadiu o palco com a sua experiência de quase dez anos e criou um ambiente de rock alternativo, com incursões eletrónicas interessantes, ritmo bem marcado pela bateria e boa capacidade interpretativa da parte do vocalista. Contam já com um EP e dois trabalhos de longa duração, sendo “Savage” o seu segundo álbum, lançado em 2014.


A banda Um Zero Azul mostrou-se visivelmente satisfeita por estar presente neste festival, uma vez que o Pinhal Novo é o berço do projeto UZA. O público reagiu muito favoravelmente a este rock ligeiro, com pinceladas eletrónicas, letras simples mas emotivas e melodias fáceis de acompanhar, que produzem, fundamentalmente, boas e agradáveis canções. Trata-se de um trio com quem se simpatiza facilmente e que mantém boa interação com o público. Destacamos os bons momentos do solo de bateria de David Sequeira e o tema “Quem não quer ver?”, bem conhecido, originalmente com a participação de Tim, dos Xutos e Pontapés.

E vieram os Low Torque desencadear uma profunda alteração no ambiente do espaço dos concertos. 
Já com casa quase cheia, a banda surgiu muito forte, confiante e pronta para mostrar o estado de maturação em que já se encontra e no qual David Pais, o ainda recente vocalista, se encaixa perfeitamente. Sentimos, várias vezes, que a voz deste vocalista e a bateria de Arlindo Cardoso se associam num conjunto que não dá tréguas, mantém o público refém e surpreende-o ao longo da atuação. Não há lugar aqui para momentos de destaque, pois se a memória ainda nos permite ouvi-los, ao longe, poderosos do início ao fim.


E finalmente, os cabeça - de - cartaz, Peste & Sida, surgiram do alto dos seus 25 anos de carreira, subindo ao palco para um público que ansiava por vê-los e que, a esta hora, já enchia o espaço do Bardoada. Fizeram o concerto esperado: durante cerca de uma hora, os clássicos da banda desfilaram para gáudio dos fãs que, às 2h da madrugada ainda se mantinham, fiéis, à sua espera. Foi assim que ouvimos temas como “Está na tua mão”, “Orgia paroquial”, “Bulé, bulé” e “Chegou a hora”, entre outros, selecionados para esta noite.
Terminou assim o primeiro (e longo) dia do Festival Bardoada e Ajcoi, com boa música e excelente ambiente, a fazer-nos deixar o Pinhal Novo já a ansiar pelo segundo dia, no qual também não pudemos deixar de estar presentes

TEXTO: Sónia Sanches
FOTOS: António Gaspar (todas as fotos aqui)

REPORT 2º DIA (em breve aqui)

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