17/09/2015

Report do WarmUp e 1º dia do SonicBlast Moledo 2015 (com vídeos)

A alteração das datas deste evento permitiu a conjuntura perfeita com o que se apresentava musicalmente, num estilo mais doomesco este ano, e o clima. 
Foram 1 + 2 dias enublados e de chuva que provocou um, nada esperado, desconforto geral.
Este evento denominado como um dos melhores do verão minhoto por apresentar atividades diretamente ligadas ao sol, piscina, praia e ao calor da musica psy stoner, este ano foi por isso, uma decepção.
Contudo, a música tem um poder especial de manter unidas as pessoas e nem bandas, nem o pouco público que se encontrava nos recintos, desistiram de fazer deste evento mais um belo momento de amor à música alternativa e a todas as atividades associadas, como o skate e a arte apresentada na tenda de merchadising.
A festa começou no dia 13 com o Warmup, no Ruivo´s Bar a poucos metros do acampamento, junto à praia. 
As bandas que participaram no Warmup cumpriram o seu papel, dando-nos um dos melhores momentos dos festival. Um convívio saudável entre músicos e público que, assim que se fizeram ouvir os primeiros acordes das guitarras, surgiu numa vaga de gente sedenta de música com riffs rasgados e ritmos acelerados do rock e do punk. 
Astrodome, Galactic Superlords e The Dead Academy que, apesar de terem alguns problemas de som e instrumentos, conseguiram fazer fluir a adrenalina ao seu máximo, fazendo explodir em saltos o público que assitia.
Galactic Superlords, Warmup foto by João Ramos
A surpresa neste Warmup foram os Galactic Superlords que elevaram o público numa alegria contagiosa e tornaram-se, na nossa opinião, a banda revelação e mais simpática do evento. Desfiaram temas do seu último trabalho, o homónimo Galactic Superlords com Nowhere To Hide, Eagle, Coyote e o poderoso Wrath of the Golden Knight, com um rock stoner bem rasgado destacando-se no grupo, a presença elétrica da vocalista Katharina Heldt, que nos provocava os 'nervos' com a sua voz composta e poderosa sendo impossível não saltar para o meio do público e pular. 
Astrodome foram iguais a si mesmos e como aliens descidos do Porto não foram tão interactivos, mas deram-nos um delicioso momento Heavy Psych Rock com o seu mais recente e homónimo trabalho ASTRODOME.
The Dead Academy, Warmup, foto by João Ramos
Finalizaram os The Dead Academy de Viana do Castelo, mas tiveram de interromper a atuação porque o Vitor Vaz ficou sem cordas na guitarra, tal era a pujança punkeana que saía dali e não houve substituição possível e assim as 3 bandas conseguiram aguçar-nos a curiosidade para o que nos esperava nos recintos do evento. Seguiu-se uma pequena caminhada para o acampamento com a alma e não só, cheia de sorrisos e expectativas, não fosse o frio que se sentia e o mau tempo que se avizinhava.

1º Dia Pool Stage
Acordámos cheios de esperança com os primeiros raios de sol a querer furar as nuvens e brindar-nos com o que viemos todos ali buscar, um espírito fraterno e caloroso, tão habitual neste evento.
Às 9 da manhã, o cheiro a café no campismo e a preparação da refeição na natureza banhada pelo tão desejado sol, rapidamente transformou o camping e magicamente saiam das 'tocas' rapazes e raparigas com vontade de mais, depois do shot de adrenalina musical e não só, da noite anterior. Na azáfama matinal, animava-se o ambiente com musica rock stoner dos TruckFighters de fundo, entre outras no mesmo estilo e gritos de 'guerra', tentando estimular e acordar a vizinhança para a festa...perto da hora de almoço o mau tempo regressava e lentamente e o silêncio instalou-se. Casacos vestidos e tendas fechadas seguimos rumo ao recinto do Pool Stage na Associação Cultural e Desportiva de Moledo e Cristelo. 

Mantra com o seu Stoner/Doom,  foi a banda que abriu as hostes apresentando o seu recentemente lançado EP I: Hell Or High Water, seguidos dos The Black Wizards com uma mistura entre blues e rock, com muito fuzz e psicadelismo, apresentado no seu Fuzzadelic que, ainda debaixo de um sol timido, trouxe uma enchente ao recinto e animou alguns corajosos a saltar para a piscina.
Entrámos a tempo dos Big Red Panda que já preparavam a presença neste evento há algum tempo.

Big Red Panda, Pool Stage foto by Stanana
Esta formação de Ponte de Lima, finalmente catapultou-se para o sucesso ao fim de longos meses de estrada entre Portugal e Espanha e na reta final do Summer Madness Tour e seguir-se-ia o emblemático Rock D'Ouro e o Indie Music Fest. Estas participações em eventos de norte a sul do país, trazem-lhes enfim, a merecida notoriedade.

O tempo ia piorando mas 'aguentou-se' para permitir um bom concerto, com o público, agora sentado e de casacos vestidos, mas com a devida atenção à banda.

Big Red Panda, Pool Stage foto by Stanana
Melodiosamente os Big Red Panda tocaram os temas do seu trabalho de lançamento, Centopide iniciando com Backbone, Alligator, Wavering, Brain Mapping e finalizaram a performance com Miles Davis, ficando a faltar o novo tema High Ride lançado recentemente.
Big Red Panda, Pool Stage foto by Stanana

Big Red Panda, Pool Stage foto by Stanana
Se era de psicadelismo, melodia deliciosa e inebriante à mistura com riffs de guitarra de Kevin Pires e ritmos energizantes da bateria e baixo, os Big Red Panda entregaram o que se pedia. Mantiveram a atenção do público e em troca tiveram aplausos fazendo a banda sentir-se bem recebida. Um belo concerto!
Big Red Panda, Pool Stage foto by Stanana



O tempo ía piorando com ventos fortes e frios mas com a 'gasolina' certa a malta ia resistindo e as bancas de merchadize de Demon´s Owl Crow e BBBLast foram montadas na saída do recinto e num intervalo a SFTD aproveitou para falar com Pedro Ferreira, vocalista e líder da banda Big Red Panda. Aqui está a pequena entrevista onde são divulgadas novidades em primeira mão, num diálogo descontraído com a SFTD:
 Clicar para ouvir a entrevista
Copos e 'copas' iam desfilando de um lado para o outro com o escasso público a tentar ficar 'in the right mood' para o que se seguia.
Este evento também era para os nuestros hermanos vindos da Galiza e de toda a Espanha, subindo de seguida ao palco os elementos de The Attack Of The Brain Eaters. Fizeram um bom concerto seguindo a métrica do rock ao estilo old school com os seus wah´s dos anos 70, ao que os espanhóis no recinto reagiram, ou seria  quiçá o efeito doutros fluidos, e aproximaram-se lentamente do palco em expectativa. Promoveram-se uns headbangs e animaram a malta com o seu TITAN em modo hardcore punk stoner rock vindo de Oviedo, a capital das Astúrias.
The Attack Of The Brain Eaters, Pool Stage, foto by João Ramos

Os níveis de adrenalina sobem exponencialmente quando Cuchillo de Fuego, vindos de Pontevedra, tocam o primeiro acorde e o público já em altas, entra em êxtase para os receber, provocando uma pequena enchente em frente ao palco, bem animada.
A cultura punk rock está bem viva na nossa vizinha Espanha e fomos presenteados com o melhor show do Pool Stage, neste dia.




Cuchillo de Fuego, Pool Stage, foto by Stanana
O energético e simpático vocalista Juan Navazas , trouxe o seu rock/sludge ao chão e dançando mano a mano com o público provocou a euforia total. Este foi o concerto que soube a pouco, tal era a adrenalina e a qualidade musical ao apresentarem o seu trabalho Triple España, que também se pode encontrar em cassete(?), este é repleto de mensagens fortes declamadas em palco por Navazas de uma forma acutilante contra o capitalismo que se vive nos dias de hoje , fazendo-nos clamar em unissono ' por supuesto!', um disco a descobrir!
Um rock bem punkeado e hipereléctrico! Excelente gig!
Cuchillo de Fuego, Pool Stage, foto by Stanana

Seguem-se os Nervous
Nervous, Pool Stage, foto by Stanana


 a fechar, literalmente, esta parte do evento. Depois dos saltitantes Cuchillo esta banda vinda do Califórnia, com um som mais downer e quente onde Jake, o guitarrista e vocalista tem uma presença em palco mais reservada, apresentou-nos o seu último trabalho Nervous e alguns temas novos, num estilo punk/noise e um toque de fusão/grunge, que fez baixar a inquietude das hostes, mas sem que  arredassem pé, da frente do palco. 
Contudo o tempo piorava e rapidamente o recinto ficou vazio depois do concerto, e saímos com destino às tendas e às 'tascas' circundantes para reabastecer as energias para a noite que se avizinhava agreste e que justificava de algum modo, a espantosa fraca afluência dos 'dudes' este ano. Onde andaria o público?



1ª Noite-Palco Principal
O intervalo é curto, apenas uma hora e as distâncias a percorrer fazem o público atrasar-se, ainda mais quando o tempo não ajuda a ficar nas tasquinhas e roulotes perto dos recintos e procuram-se antes lugares quentes e secos na vila para comer, nem que seja um regresso à tenda! Talvez para o ano montem no acampamento os comes e bebes e facilitem a vida à malta! Fica a sugestão.
Assim, ainda vínhamos a caminho, quando os heróis da noite, os High Fighter, entraram em palco e com bom som e lutaram para convocar o público ao recinto, com o seu mais recente EP The Goat Ritual que resultou em cheio, rápidamente encheu-se de gente eufórica! 
Um dos temas favoritos foi In Veins, que no estilo heavy stoner metal, blues e sludgy/hardcore, fez pular o público, saltando já numa tentativa de crowdsurfing timido e abrindo assim a 2a parte deste evento, com a cabeça bem 'cheia' e deixando-nos de alma energizada!
Entram seguidamente os representantes do weed metal, com o nome perfeito de Belzebong vindos da Polónia e pregaram-nos ao chão com o seu Greenferno e durante todo o concerto, jingavam as suas guitarras num groovy headbang darkpsy, fazendo-nos entrar num estado zen doom, como se de um ritual se tratasse.
Belzebong, foto by João Ramos

Os temas Diabolical Dopenosis, Inhale in Hell, Goat Smokin’ Blues e The Undertoker entraram nos ouvidos como o fumo de um bong, enebriando um público em êxtase e, num abismo de fumo esverdeado ofereciam-nos  riffs distorcidos pelo seu Bong Doom e Weedy Groove cravando o público em movimentos pendulares, em frente ao palco. Um excelente concerto desta banda que era uma das mais esperadas do festival.

Ainda com o tempo instável sobem agora a palco os Plus Ultra, vindos do Porto uma banda de música de fusão, tendo uma miscelânea de estilos musicas como assinatura. Os elementos Gon (ex-Zen), Kino (ex-Ornatos Violeta) e Azevedo (ex-Mosh) trazem as suas influências entre o funk, o jazz, o rock poderoso, o punk, o doom, o industrial e o stoner e apresentaram-nos temas já lançados, nestes últimos dois anos online, como o Scream#337 retirado do seu mais recente Plus Ultra Vol.1, Blood in Veins e Trust is for the Weak, levando o público ao rubro. 
Uma libertação perfeita, em mosh e crowdsurfing, com alta qualidade musical e a performance do vocalista transcendeu o palco e entrou em perfeita simbiose com os que assistiam a este poderoso show de rock. Mais uma atuação animada que saciava a vontade de folia do público que tentava ao máximo dançar, talvez para aquecer e animar o festival.

Plus Ultra, Palco Principal, foto by João Ramos  

Greenleaf era outra das bandas esperadas neste evento e valeu a pena o 'enrregelamento' no recinto, com os ventos marítimos a ameaçar chuviscos persistentes, durante este concerto. Um ambiente perfeito para os suecos e o vocalista de voz cheia, Arvid John Jonsson que mostrou bem, como se faz!
Os riffs grovescos das guitarras em estilo rock old school, com as sonoridades de rock stoner e doom perfeitamente associadas, provocaram um rodopio geral no recinto e correrias apressadas para participar no mosh pululante generalizado. Dedilharam os temas do seu último trabalho Trails & Passes, dando-nos um concerto funky groove com exímia qualidade dos músicos, que não nos desiludiram. Outro bom concerto!


                                                                         Greenleaf, foto by João Ramos

Os ventos envolviam os My Sleeping Karma numa fumaça rosa e os vídeos da Deusa Kali envolviam-nos num ambiente místico. Uma banda repetente no SonicBlast, que mais uma vez nos encantou e balançou para um estado espíritual zen e delicia sonora.
Moksha é o nome do novo trabalho desta banda vinda da cidade de Aschaffenburg, Alemanha, onde vivem centenas de jovens em habitação social, sendo um polo de arte de rua e de todas as outras formas, em constante atualização. 
                                               My Sleeping Karma, foto by João Ramos

Juntaram-se em Frankfurt para elaborar mais este álbum, tão perfeito em qualidade como o anterior Soma e que, mais uma vez, nos hipnotiza levando-nos para um mundo repleto de feelings de amor e fraternidade com os temas : Prithvi, Interlude 1, Vayu, Interlude 2, Akasha, Moksha, entre outros.
São sempre perfeitos os My Sleeping Karma, para este alinhamento em Moledo, pois é de peace and love que trata este evento, mesmo com mau tempo. Em parceria dançavamos todos e rejubilávamos em cada acorde do, literalmente grande, guitarrista Seppi, que nos ía 'carregando' em ondas de riffs tenebrosos e melodias singelas, para mundos nas profundezas mentais de cada um de nós. Tocam também temas do Soma e com Ephedra fez, àqueles que repetiam a dose, gritar e aplaudir em total êxtase pelo bom vibe e magia pura, pois o ano passado também foi inesquecível a performance da banda. Um profundo e belo concerto com a simpatia expressa por Matte, agradecendo no intervalo de cada tema, a nossa entrega. 
Este concerto foi possível porque os já denominados aqui heróis da noite, High Fighter emprestaram os instrumentos para que este momento mágico acontecesse pois, mais uma vez houve falha das nossas transportadoras aéreas que reteve todos os seus instrumentos no aeroporto. Mas mesmo assim eles vieram e nada lhes faltou para nos proporcionar o maior e melhor momento do evento neste dia! Obrigada My Sleeping Karma!
Nos intervalos recorríamos aos amigos da banca BBBlast para tentar aquecer e reabastecer, aqui partilhava-se arte de merchandise e fotos com os músicos que ficavam a confraternizar com o público. Os Galactic Superlords mais uma vez destacavam-se na crowd cheios de risos e simpatia para com quem passava e montaram também uma artística banca com as suas ofertas e via-se que se sentiam em casa.
A noite gelava e no fim fomos para as tendas..ouviu-se falar num after no Ruivo´s Bar mas não fomos confirmar, o clima não facilitou as andanças ao relento à beira mar, mas adormecemos com um sorriso de satisfação por termos estado presentes em mais um mágico momento de arte e gente bonita.
Texto e audio entrevista por Stanana
Fotos por Stanana e João Ramos
Vídeos, cortesia de João Ramos, abaixo:












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