Esta encarnação da lendária banda de death metal, incontornável na história do género no velho continente, já teve outras passagens pelo nosso país e uma delas bem recentemente na passada edição do Moita Metal Fest.
No entanto, os palcos por onde passaram nada se comparam na sensação de proximidade que o Stairway Club tem para oferecer e esse será o grande aspecto a frisar na comparação entre concertos.
Abrindo com "Midas in Reverse", tal como no último álbum lançado em 2016 ("Dead Dawn"), a turma de LG Petrov deu início a um concerto de curta duração mas intenso no lançamento de petardos que se seguiram uns atrás dos outros.
Poderiam ter optado por um showcase apontado ao que é, possivelmente, o registo mais coeso desta nova fase mas a estratégia parece ser ainda mais conservadora que na banda de Andreas Kisser havendo uma clara aposta em demonstrar o legado em prol de tudo o resto.
É curioso, que nos anos 90 os Sepultura e os Entombed partilhavam bastantes fãs no nosso país, especialmente em toda a era pré-Roots quando o Thrash destrutivo era a palavra de ordem. A veia groove que ambos vieram a desenvolver tem em "I for an Eye" um bom exemplo.
Hoje em dia, assistimos em ambos os casos uma aparentemente discussão "ad eternum" quanto ao nome da banda e se a música que praticam é ou não merecedora de tal título.
Esse peso traz uma pressão acrescida e ambas as bandas jogam na defensiva a demonstrar material novo ao vivo talvez por temerem negligenciar a vontade dos fãs em ouvir clássicos intemporais.
De qualquer forma, é de aplaudir a vontade de ambas continuarem a lançar trabalho novo em estúdio e no caso dos Entombed AD já temos dois álbuns lançados com um intervalo de apenas dois anos, algo manifestamente mais regular do que a banda nos vinha a habituar na última década.
Ao segundo tema "Stranger Aeons" fez-nos relembrar o pico do Death Metal mais cru da Escandinávia. O tema retirado do já velhinho Clandestine continua a ser uma boa introdução ao som mais thrashy e algo punk de Estocolmo, distante do melódico e mais mediático som de Gotemburgo que tem como troféu bandas como In Flames, Dark Tranquility ou At the Gates.
Obviamente que "Left Hand Path", álbum de estreia, é o Opus Magnum deste registo mais agressivo (que também premiou bandas como Grave e Dismember) e o moshpit no tema homónimo, já no fim do concerto, provou isso mesmo.
Seja como for, no fim da noite a ideia que prevalece, e que lhes distingue do resto, é o tal Death'n'Roll, como muito boa gente define, que esteve presente em temas como "Wolverine Blues", "Out of Hand" e "Hollowman".
Um formato claramente greatest hits que ninguém contestou e menos anárquico que na margem sul. Mas não se deixem enganar, os meninos da linha souberam-se mexer quando lhes foi pedido e o espectáculo só ficou a ganhar com isso.
A abrir a noite, infelizmente com uma plateia bem mais reduzida, estiveram os Okkultist liderados por Beatriz Mariano com os seus imponentes guturais.
A jogarem em casa, o colectivo teve alguns altos e baixos técnicos mas nada que não fosse mais desconfortável para a banda do que propriamente para o público na sua dianteira. Ainda que algo tensos em palco, o nível técnico está lá e nada que uma boa dose de experiência quer de estúdio como de palco não ajude a ultrapassar.
É isso mesmo que podemos contar de futuro já com o EP "Five Nation Pentagram", a ser lançado futuramente, e que irá ser apresentado em palcos como o do Hell in Sintra.
O tecnicismo do lead guitar é evidente e uma grande benesse para a sonoridade da banda adicionando uma dose de virtuosismo e detalhe à dose de Death cru e agressivo. Há uma grande vontade em demonstrar todas as capacidades mas talvez se peça uma maior naturalidade melódica nas composições de forma a criar algo mais coeso. A banda procura a sua sonoridade e não deve apressar essa conquista.
O vocal cavernoso e a instrumentalização assombrosa não devem ficar presas às inevitáveis comparações a Arch Enemy que mesmo o mais inocente dos ouvintes acaba por ceder. A banda não apresenta o death melódico da banda de Michael Amott e Beatriz não é Angela Gossow. Há uma escuridão que pisca o olho ao Black e que torna tudo mais intenso.
As bases estão lá e como um bom vinho, devemos deixar respirar um pouco e só depois apreciar. Quem sabe, não serão os Okkultist mais um porta-estandarte do metal extremo a quebrar estereótipos no nosso underground português...
A noite pecou por concertos demasiado curtos mas não falhou em concretizar a singularidade de poder assistir a tamanho histórico num ambiente mais intimista e familiar.
Agora, o terceiro e último capítulo destes eventos Warm Up para o Vagos Metal Fest 2017 será um dos concertos mais esperados do âmbito do Death Metal: Asphyx promete vir a ser um estrondo e será já no próximo dia 27 de Maio no RCA Club em Lisboa.
Texto: Tiago Queirós
Agradecimento especial pelas fotos à Andreia Vidal e Loudness Magazine
Texto: Tiago Queirós
Agradecimento especial pelas fotos à Andreia Vidal e Loudness Magazine