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23/08/2019

[Report] VAGOS METAL FEST 2019 - 2º dia (sexta-feira)

2º dia (sexta-feira, 9)

 
Six Feet Under, Watain, Týr, Necrophobic, The Godiva, Exumer, Ways. , Redemptus e Okkultist

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Como que a redimir-se pelos litros de água caídos no dia anterior, o segundo dia de festival acordou com poucas probabilidades de se repetir o dilúvio na vila de Vagos. Apesar disso, olhando para o line up deste segundo dia do Vagos Metal Fest, facilmente verificávamos que este seria um dia muito mais negro e bruto que o anterior, com a junção de nomes de peso do black e death metal ao cartaz. 
A tarefa de abrir este segundo dia ficou a cargo dos Ways seguidos dos Portugueses Okkultist.

 
A actuação da banda liderada por Beatriz Mariano não foi bafejada pela sorte, quer seja pelo som apresentado, que se notava estar bastante confuso, quer pelo insólito e caricato final, onde, de um momento para o outro, o som foi completamente desligado no palco Amazing para que os Redemptus dessem início no palco Vagos.
 

Como seria de esperar, a banda de Paulo Rui demonstrou em cima de palco porque são considerados uma das bandas sensação do panorama doom metal português. O concerto foi muito consistente, potente e com uma solidez que já nos habituaram ao longo da sua carreira. Em suma, uma grande actuação que não desiludiu ninguém presente àquela hora no recinto.


De seguida era esperada a actuação dos thrashers Exumer, oriundos da Alemanha e que, após um hiato de mais de 10 anos, vieram a Portugal apresentar o seu mais recente álbum "Hostile Defiance". 
 

A plateia aderiu em massa ao palco onde estavam os germânicos e totalmente incansáveis nos circle-pits e crowd-surfings, que duraram todo o concerto.


Um concerto irrepreensível por parte destes mestres do thrash germânico que, não fazendo parte dos Big 4 europeus, ajudaram a escrever parte da história metaleira actual.


Fica a nota do momento que se multiplicou, depois, um pouco todos os dias: o crowd surfing de um dos seguranças que estava junto ao palco, demonstrando que estes festivais são realmente feitos de bom ambiente e boa disposição entre todos os intervenientes.

As hostilidades com as sonoridades mais brutas e obscuras iniciaram-se com os Necrophobic e ao seu black metal inspirado no paganismo e satanismo. 
 

A prestação da banda sueca demonstrou logo que não iria ser o idealizado pelos mais trves dos fãs presentes, apresentando-se, a nível de sonoridade e de caracterização, de uma forma bastante limpa para o que este género gosta e quer.

Apesar desta situação, a sua actuação foi uma das melhores do dia, surpreendendo mesmo quem pudesse estar céptico, principalmente pela reacção do público ao clássico Revelations 666, deixando um Vagos completamente perplexo.

Chegava a vez dos Týr entrarem em cena, para mostrar o seu mais recente registo discográfico "HEL". 


A coesão entre os membros, a nível técnico, não era a melhor, quer por problemas de som, quer por alguma descoordenação nos refrães, que mais pareciam que iniciavam a sua prestação desafinados. No entanto, para quem esperava ver a banda de Gunnar Thomsen e Heri Joensen, não saíram desiludidos com a prestação, de onde puderam ouvir a maioria das músicas mais emblemáticas do novo e dos anteriores álbuns.

O power metal não está morto. Podia muito bem ser esta uma frase dita inicialmente por Ralf Scheepers, aquando da sua actuação com os Primal Fear.
 

O grupo alemão deu um espectáculo muito energético e só foi pena não haver muito mais público. Ralf Scheepers continua a demonstrar porque é considerado uma das melhores vozes do género e a cumplicidade com todos os outros elementos é bem visível. Foi uma boa surpresa para quem não conhecia e quem ficou não se arrependeu de certeza.


A lua já se encontrava visível no céu negro e eram ouvidos os primeiros sons oriundos do palco Amazing, denotando-se toda a infraestrutura que tanto caracteriza a banda que iria entrar em cena a seguir.
 

Sim, os Watain já não passam sem os seus adereços, sangue, fogo, a lembrar os idos anos 90 e os concertos de bandas míticas como Mayhem, que ficariam conhecidos pelo incrível concerto onde cabeças de porco se encontravam penduradas em espetos. Neste momento, já o recinto se encontrava bastante composto e a ansiedade era visível. 

Assim que Erik Danielsson entrou em palco carregando uma tocha utilizada para iniciar o show pirotécnico, o ambiente entrou imediatamente em ebulição e, aos primeiros acordes de Underneath the Cenotaph, o recinto ficou completamente insano, não mais parando até ao fim da sua prestação.
 

O já esperado banho de sangue, que presenteia os fãs mais dedicados da banda, não faltou, com o ponto mais alto desta performance a ser atingido com a mítica Malfeitor, que levou o público ao êxtase.




Se os Watain despertaram a curiosidade de muitos, arrastando a sua legião de fãs a comparecer em peso, era já hora para ver, pela primeira vez em solo nacional, os ícones do death/grind oriundos de Tampa Bay nos Estados Unidos da América. Estes dividiram a popularidade com Watain, fazendo prever algumas discussões naturais sobre quem deveria ser o headliner deste dia. Falamos, obviamente, dos Six Feet Under, que, sob a batuta de Chris Barnes, dispensavam qualquer apresentação prévia.
 

Logo no início, verificámos que o baixista Jeff Hughell não acompanhou o resto da banda nesta sua visita e alguns foram apanhados de surpresa (pelo menos para os mais distraídos) pela presença de Jack Owen (antigo companheiro de Barnes em Cannibal Corpse) como lead guitar. Barnes entra, então, em palco ao som de The Enemy Inside mostrando porque é considerado uma das maiores vozes guturais que alguma vez existiu. Levou o público a dar início ao que seriam cerca de setenta minutos de violência, ao bom jeito dos anos 90.
 

Músicas como The Day the Dead Walked, Human Target, Feasting on the Blood of the Insane não deixaram ninguém parado, mas foi, sem dúvida, com Lycanthopy que arrancou a maior reacção. A entrega dos fãs não ficou indiferente a Barnes, que, por várias vezes, afirmou estar perplexo com a atitude demonstrada pelo público, prometendo ainda mais descargas massivas.

Uma pena que o som estivesse demasiado alto tornando-se, por vezes, impercetível e que Jeff não tenha viajado, já que a coesão musical se ressentiu desse mesmo facto. No entanto, na opinião do público, estávamos perante o momento alto deste dia, já que ninguém ficou indiferente à presença de um dos maiores ícones do panorama musical extremo. 


Para o final estava reservada a maior surpresa da noite, que chegou com os primeiros acordes de Stripped, Raped and Strangled e com o clássico Hammer Smashed Face de Cannibal Corpse, que fez com que muitos dos presentes regressassem aos tempos mais míticos da banda.


Os portugueses The Godiva tinham agendado, para esta edição do festival, a apresentação e gravação em vídeo do seu concerto com a Purgatory Orquestra. 
 

Porém, talvez pelo dia já ir longo e ter sido bastante exaustivo, o público não aderiu como se esperava. Além disso, sentiram vários problemas técnicos, com uma das guitarras a não emitir qualquer som durante vários minutos, bem como outros problemas ao nível do som. Estas condições da actuação muito possivelmente não vão deixar a banda utilizar a gravação para o fim previsto. No entanto, não deixou de ser um espectáculo visualmente bom, muito ao género do que algumas bandas deste género já fizeram. Esperamos rever esta actuação num outro espaço, com outras condições… talvez em recinto fechado e num ambiente mais intimista, para podermos realmente desfrutar da qualidade deste espectáculo.

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Texto: Ricardo Branco (todas as fotos deste dia AQUI)
Revisão: Sabrine Lázaro

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