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21/08/2019

[Report] VAGOS METAL FEST 2019 - 1º dia (quinta-feira)

1º dia (quinta-feira, 8)
 
Candlemass, Jinjer, Process of Guilt, Burn Damage, Equaleft, Painted Black, Basalto, Diesel Humm e Dallian

 Início de Agosto é sempre sinal de romaria à acolhedora vila de Vagos por parte da comunidade metaleira e, este ano, não foi excepção, apesar da intensa chuva que se fazia sentir no início dessa semana e de acordo com as previsões meteorológicas. O local estipulado para o campismo começou a encher-se de metaleiros logo na terça-feira, fazendo-se prever que nem S. Pedro iria arrasar com o sucesso de mais uma edição do Vagos Metal Fest.

Não contrariando as previsões, S. Pedro fez questão de brindar o primeiro dia com uma chuva intensa como que a abençoar esta edição do festival. A tentar sacudir a água dos impermeáveis, indumentária indispensável aos presentes, estiveram os locais Diesel Humm, uma banda que, apesar de não ser muito conhecida dentro deste meio, assinalaram os seus 20 anos de carreira com uma prestação bastante bem conseguida.

Seguidamente, entrou em palco mais uma banda portuguesa. Aliás, de referir que o início das hostilidades esteve, neste dia, sempre a cargo de bandas nacionais. Os visienses Basalto apresentaram o seu stoner/doom metal através de uma prestação competente apesar de, em algumas ocasiões, ser mesmo demasiado compacta/confusa.

Era neste momento que entravam em cena os lisboetas Burn Damage que, mais uma vez, não surpreenderam ninguém com a sua competência e sonoridade muito característica, aliada a uma das vozes mais brutas do metal nacional graças a uma prestação incólume, onde não faltaram músicas como 4 Little Pigs, Acid Rain ou mesmo Slaughterhouse of Cowards. Contou com muito movimento por parte do público, como que a agradecer a descarga que estava a receber por parte da banda.

Após o final da actuação dos Burn Damage, foi então a vez dos Painted Black entrarem em cena com um doom metal muito competente.


A banda de Daniel Lucas e Luis Fazendeiro teve uma prestação curta, mas nem por isso fraca. Antes muito pelo contrário! O som esteve bastante bom e a presença em palco primou em certas partes pela originalidade, não fosse a inclusão de alguns riffs de Pantera numa das transições entre faixas fazerem como que o público esperasse por uma surpresa que, na verdade, não aconteceu.

O momento mais esperado (mais por ser energético) para a maioria dos presentes na Quinta do Ega, era a entrada em cena de Tatiana Shmailyuk e companhia. Ela que, para quem acompanha de perto os Ucranianos Jinjer, é uma força da natureza que não tem controlo possível, tal a brutalidade e competência que apresenta em cada actuação.


A cada nota saída do death progressive metal apresentado pelos Jinjer, o público reagiu de forma bastante enérgica, ignorando completamente a chuva que se fazia sentir de forma mais intensa, através de gigantescos circle-pits ou mesmo tentado chegar mais perto do palco utilizando os famosos e infindáveis crowd-surfings. Tatiana demonstrou, mais uma vez, ser uma verdadeira mestre de cerimónias e cativou (arrisco-me a dizer) todos os presentes pela forma afável como o interagia com o público. 
 

Neste momento, seria difícil destronar os Jinjer como actuação da noite, tal não foi a perfeição do espectáculo visualizado durante todo o concerto.


Entram, entretanto, em cena os portugueses Process of Guilt, apresentando a quem tinha neste momento trocado o palco Amazing pelo palco Vagos, o seu muito conhecido doom metal atmosférico pesado e bastante carregado, transmitindo uma obscuridade bastante característica na banda.


Talvez por isso, a própria noite se tornasse ainda mais chuvosa, como que sendo a forma de ainda carregar mais o ambiente para a prestação irrepreensível do conjunto alentejano. A par das duas anteriores bandas, o som do palco estava muito bom, apesar de no início ter ficado a ideia de que poderia existir algum problema técnico, que acabou por atrasar a entrada da banda.

Era, então, chegada a hora mais esperada do dia: falamos dos suecos Candlemass que vieram a Portugal mostrar que "velhos são os trapos" e que, após várias alterações na formação, bem como paragens algo prolongadas, o público podia esperar um concerto cheio de vitalidade e energia como se se tratasse dos primeiro tempos da banda.


E foi isso mesmo que foi mostrado durante todo o concerto. Donos de um som poderoso, intenso e bastante definido, que mais parecia uma marreta a cair sobre a audiência. Talvez devido a toda a intensidade demonstrada pelos Candlemass, durante todo o seu concerto, foi notório por parte de Leif Edling alguma fadiga em alguns momentos. Não que isso tivesse defraudado as expectativas dos presentes. 

O regressado Johan Längqvist demonstrou que, mesmo após mais de 30 anos de hiato, ainda consegue cativar audiências com a sua voz que ficou imortalizada pelo álbum "Epicus Doomicus Metallicus", bem como interpretar de forma irrepreensível muitos outros clássicos como Bewitched, que originalmente foi gravada por Messiah Marcolin, ou mesmo a surpreender os presentes com Demons Gate, que, normalmente, não faz parte da setlist da banda.


De forma bastante diferente do habitual, os Candlemass terminaram com chave de ouro a sua actuação com a emblemática Solitude, que nos faz afirmar que foram, sem sombra de dúvida, mais de 90 minutos aos quais ninguém ficou indiferente.


Antes que pudéssemos dar o dia como terminado entram em palco os Equaleft, banda que dispensa qualquer tipo de apresentação no panorama nacional. 


A banda liderada por Miguel Inglês chegou ao palco do Vagos para apresentar o seu mais recente álbum "We Defy", mas sempre revisitando os clássicos que a grande maioria do público entoou de forma intensa. A chuva que teimava, neste momento, em cair de forma mais insistente e contínua, fazia as suas primeiras baixas e isso talvez tenha sido o motivo para a actuação dos Equaleft não estar ainda mais composta. Perderam os que desistiram, pois não tiveram direito a presenciar mais um belo concerto, nem mesmo os famosos húngaros, que já se torna tradição a distribuição no final da sua prestação.

Se entre Candlemass e Equaleft já tínhamos assistido a muito do público a sair do recinto, infelizmente o tempo continuou a não dar tréguas, já na madrugada de dia 9… e quem sofreu com essa situação foram os Dallian. A banda de progressive/symphonic/death metal oriunda de Leiria, não teve, com certeza, a assistência que esperava, mas mesmo assim não deixou de dar um concerto bastante competente satisfazendo os mais resistentes fãs que se apresentaram em frente ao palco.

Texto e Fotos: Ricardo Branco (todas as fotos deste dia AQUI)
Revisão: Sabrine Lázaro

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