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17/10/2022

[Report] Amon Amarth e Machine Head "Vikings and Lionhearts Tour" | Campo Pequeno Lisboa | 09.10.2022


Ter Machine Head e Amon Amarth a partilharem o palco numa digressão, e ambas as bandas com discos frescos cá fora, ansiosos por mostrarem ao vivo os seus mais recentes trabalhos?! Bem, estivemos lá para os receber, para os ver e ouvir. 

O conceito de digressão co-headline é sempre um bicho estranho; neste alinhamento, Amon Amarth tem um set mais longo, e são os Machine Head que fecham o evento? Pergunto-me quantas reuniões foram necessárias para chegar a acordo sobre que seria justo para todos, se bem que estas digressões conjuntas não são novidade, e existem alguns casos de sucesso. Os Big4, Metallica & Guns N’ Roses, e mais recentemente, Megadeth e Lamb Of God.

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No domingo, dia 9, o Campo Pequeno abriu as portas à Vikings e Lionhearts Tour, trazendo os The Halo Effect como banda de suporte. O grupo é novo, sim, mas a formação tem créditos, intitulam-se como uma banda “Swedish Death Metal”, provavelmente porque são oriundos de Gotemburgo e é composta pelos ex-membros dos In Flames e Mikael Stanne dos Dark Tranquility, justificando facilmente a sua presença nesta digressão titânica.

Abrem com 'Days Of The Lost', o tema que dá nome ao álbum e fecham com Shadowminds, que temos vindo a rodar na nossa rádio há já algumas semanas. Seja qual for o estilo ou mesmo o género, são fantásticos, e vale bem a pena ouvir o seu primeiro e recente álbum.
 


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Apesar dos trinta anos de existência e treze álbuns de estúdio, esta noite irá perdurar na memória de todos aqueles que tiveram oportunidade de assistir a um concerto épico. O volume aumenta e 'Run To The Hills’ dos Iron Maiden invade o recinto, e toda a multidão presente canta a plenos pulmões o clássico da lendária banda inglesa. É impressionante! (creio que devia guardar esta expressão para mais tarde). Já com todos em sentido, na tela que pendia sobre o palco era projetado o logo da banda ao som da sua intro.

A tela cai e o cenário que nos é apresentado é arrebatador, dois gigantescos guardiões dominam imponentemente aquele ambiente em cima do palco. Um capacete de longos chifres e máscara de olhos flamejantes serve de pedestal para o arsenal de bateria de Wallgren. Inspirados nas grandes mitologias e contos de histórias nórdicos, são os Vikings, Amon Amarth, que sobem ao palco, e o tema de abertura é ‘Guardians of Asgaard´. Que poder de som! (desculpem-me se me repito nas expressões, mas a cena era deslumbrante e era assim mesmo que me sentia... deslumbrado!).

‘Raven’s Flight’ é a malha que se segue, a um ritmo bem acelerado, com o Johan Hegg e companhia a mostrarem ao que vinham, e não eram nada subtis.

Durante o espetáculo tivemos direito a muita pirotecnia e a teatro coreografado com dois Vikings a subirem ao palco e a debaterem-se numa desenfreada batalha até à morte. Um gigante dragão marinho (ou lá como se chama) é atacado com o martelo de Thor e o público sentado no chão remando às ordens de Hegg em ‘Put Your Back Into the Oar’. Cada momento era melhor que outro!
 
 
No final todos os membros da banda erguem ao alto e seu corno de beber e brindam connosco, primeiro “SAÚDE” e depois a saudação escandinava “SKOL”... Perfeito!

Quanto às músicas, deixo-vos aqui a setlist do que foram aproximadamente 1:20h na companhia desta horda Viking.

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Os Machine Head fazem parte da elite do metal pesado, e estão na presença de uma multidão que bem conhecem. Rob Flynn faz questão de mencionar isso mesmo ao longo do gig. Não são teatrais como a banda que os antecedeu. No lugar do corno de bebida, Flynn levanta um copo de plástico para a multidão exigindo “cervejas para cima, cervejas para cima” e depois instiga a multidão ao circle pit e pede repetidamente ao público “Façam barulho”... são os Lionhearts, pois então.



Do recente álbum “Of Kingdom and Crown” apenas tocaram ‘Become The Firestorm’, o que foi frustrante para mim, pois a par do álbum "Burn My Eyes" de 1994, este é o melhor trabalho de Rob Flynn. Um registo conceptual inspirado numa série anime japonesa, o álbum é feroz, agressivo e pesado como se pretende, tipicamente Machine Head. O que fizeram nesta noite foi uma celebração ao seu repertório. A setlist foi curta para o que pretendíamos, mas fomos brindados com temas como 'Blood For Blood' e 'Davidian' (claro) do "Burn My Eyes" de 1994, ‘Imperium’ do álbum de 2003 “Through the Ashes of Empires”, “Ten Ton Hammer’ de 1997 “The More Things Change...”, ‘I Am Hell (Sonata in C#)’ do “Unto the Locust” de 2011, entre outros clássicos e a terminar em apoteose com ‘Halo’ do álbum “The Blackening” de 2007.



Este foi, na minha opinião. o evento do ano (pode ser que me surpreendam), o espetáculo teatral de Amon Amarth e o poder bruto de Machine Head, que só peca por terem sido curtos. Se me fosse possível, repetia a dose já no próximo fim de semana.



Texto : Mário Ruy Vasconcelos
Fotos : Joana Marçal Carriço 
Agradecimentos: Prime Artists

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