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11/08/2013

Vagos Open Air 2013 - Reportagem 2º Dia


 
O sol acordou bem quente em Vagos e para muitos nada saberia melhor que um salto à praia para refrescar. No entanto e apesar de mais uma vez a organização do festival proporcionar camionetas gratuitas para ir e vir da praia e que passavam de hora a hora, não foram muitos os aderentes. Penso que a falta de informação estará associada a essa fraca aderência. Nada que não possa ser melhorado para a próxima.

Neste segundo dia verifiquei que o número de pessoas tinha aumentado considerávelmente. Agora sim, ao contrário da véspera, o recinto e o espaço exterior estavam o que se pode chamar de muito bem composto. Até porque estava previsto um dia de música mais direccionada para o metal old school, o que, associado ao facto de ser sábado, tenha talvez atraído um maior número de fãs.

Para abrir as hostilidades, tivemos a banda portuguesa Web. Esta banda oriunda da cidade invicta e inicialmente idealizada por alguns roadies de Tarântula, demonstraram-se consistentes, enérgicos e provaram porque se mantêm no cenário trash metal português mesmo após os 25 anos de existência. Para quem ainda não tinha recuperado da véspera e não chegou a tempo de os ver, perdeu a grande oportunidade de os ver em palco. Foi a banda que às 17h da tarde começou por dizer “Boa noite Vagos” e com a sua música e presença aqueceram bem o público para o que se avizinhava. Um dos temas mais fortes da “noite” foi (In)Sanity.

Seguiram-se os icónicos Tarântula, a banda que tanta influência teve no cenário metal nacional entre os anos 80-90. Abriram com o tema After Life, do seu último álbum Spiral of Fear, tendo reacção imediata do público. Estiveram sempre animados, bem-dispostos e transmitiram essa satisfação nos riffs e na energia que emanavam do palco. Por entre temas mais recentes e outros mais antigos, não deixaram ninguém indiferente, conseguindo agitar a multidão.


A tarde foi avançando até ao momento de subirem ao palco os gregos Rotting Christ.
 
A banda de Dark Metal marcou a diferença, com a garra e poder em palco conseguiram prender e agitar os presentes. Foram desfilando temas recentes intercalados com outros mais antigos, sendo que um dos mais fortes terá sido o Societas Satanas, em que o público gritava e agitava-se a cada batida enérgica que estremecia do palco. Com uma assistência plenamente satisfeita, terminaram com um tema do seu último álbum, Noctis Era.
 
Metade do dia já tinha passado e apesar de já se sentir algum cansaço, o público queria mais. Foi então chegada a vez dos norte-americanos Iced Earth. Esta é uma banda que foi formada pelo guitarrista e compositor John Shaffer e que tem demonstrado porque se destacam no cenário metal. Do palco emanava poder, energia e uns riffs, que anexados aos momentos melódicos criaram uma reacção muito positiva no público, que tanto se agitava como cantava em uníssono com a banda. Após o tema Anthem, toda a banda saiu mas regressou pouco tempo depois para um Encore de três temas, sendo o último Iced Earth. No entanto o público não queria que o concerto ficasse por ali e continuaram a aplaudir e a clamar pelo regresso da banda. Para sua satisfação regressaram ainda para tocar mais um tema, The Hunted.



Algumas imperiais depois e mais um curto intervalo para recarregar energias, subiram ao palco Gamma Ray. Os alemães vieram substituir os Saxon, que devido a um acidente grave que deixou o seu vocalista, Biff Byford com lesões graves, tiveram de cancelar o concerto. Tiveram uma boa receptividade e o público deixou-se envolver na sua música e energia. Master Of Confusion, um tema do seu último EP foi seguida por Empathy, mas foi em Rise que o público atestou a sua satisfação. A banda pareceu muito satisfeita com o público que encontrou e fez questão de tocar um tema que já não tocavam ao vivo há muito tempo, do seu álbum, originalmente de 95, Land Of The Free. Tocaram ainda a cover de Helloween, Future World e após saírem do palco regressaram ainda para mais um tema.




A noite ia já avançada e o cansaço já se fazia sentir, quando os americanos Testament, cabeças de cartaz, deram início ao seu concerto. Apesar do cansaço notório por parte do público, houve uma grande ovação logo no seu segundo tema, More Than Meets The Eye, seguido de Native Blood igualmente participativo. O público agitou-se ao som do old school trash metal que Chuck Billy, o vocalista, não parou de perguntar se era o som que queriam ouvir. 
 
Chuck elogiou o público português e ia pedindo cada vez mais a participação dos presentes. Tocaram o tema Into The Pit que segundo o vocalista foi escrito para todos os “doidos por aí”, apontando para o público que se ia agitando na frente do palco. Durante o concerto, o vocalista ía tocando no seu suporte de microfone como se estivesse a tocar guitarra e mandando palhetas para o público. Após o tema Alone In The Dark, mais uma vez Chuck pediu a participação dos presentes, desta vez pretendia que gritassem tão alto que os seus amigos em São Francisco, Califórnia, conseguissem ouvir. Pareceu-me que havia falta de fôlego, mas quando os instrumentos pararam de tocar e se ouviu a ovação geral, comprovou-se que estavam à altura. Terminaram com Over The Wall, que o vocalista mencionou ter sido o tema usado para um videoclip ilegalmente filmado em Alcatraz e que conseguiram que passasse. Após a sua saída de palco e apesar de o público ter ainda aclamado pelo regresso da banda, não houve Encore.

Terminados os concertos, foi a vez de dezenas de resistentes dirigirem-se para a frente do pequeno palco perto da entrada, para ao som de temas clássicos terminar o festival em grande.

É também de salientar a boa evolução nesta edição do Vagos Open Air, tanto a nível da organização como a nível de qualidade de som. Portanto, esperemos que continuem assim e que para o ano possamos repetir a dose. Até lá!


Reportagem: Miriam Mateus
Fotos: Nuno Santos (todas as fotos no facebook da SFTD)

---> Report do 1º dia <---

10/08/2013

Vagos Open Air 2013 - Reportagem 1º Dia

 
A Quinta do Ega foi o local escolhido este ano para acolher mais uma edição do Vagos Open Air. Esta quinta situada mesmo no centro de Vagos foi sem dúvida um local apropriado para o efeito, não só pelo seu espaço, como pela forma como foi organizado para acolher as centenas de pessoas que se deslocaram a mais uma edição deste festival.

Chegada ao local, fiquei impressionada com a visão do recinto, do espaço de lazer e a zona do acampamento. Estava tudo muito bem organizado e o espaço era verde e aprazível. Conforme ia descendo a rampa de acesso ao festival ia vendo o fluxo de pessoas, algumas ainda acomodando-se no acampamento, outras nas esplanadas que se encontravam à entrada do recinto. Aparentemente havia menos pessoas que no ano anterior, ou a configuração do espaço dava essa ilusão ou de facto o número de pessoas era inferior.

Para abrir o festival, subiram ao palco os portugueses Secret Lie. A banda que com pouco mais de um ano desde a sua primeira aparição pública, tem na sua formação músicos de outras bandas nacionais conhecidas, Pedro Teixeira, o formador da mesma e que pertence aos Corvos, Nuno Correia dos Forgotten Suns e Tó Pica dos Ramp. Apesar de ser uma banda um pouco mais comercial do que estamos habituados a ver nas edições anteriores, ficaram acima das expectativas e foram muito bem acolhidos pelo público presente a essa hora. Fizeram um alinhamento curto mas pesado. Do álbum começaram por tocar Sweet Sadness, Purify e de seguida um solo extenso de guitarra por parte de Tó Pica terminando com uma versão bem enérgica de Vivaldi. Apesar do pouco à vontade de Sara, a vocalista de 18 anos, fizeram uma prestação que mereceu os aplausos por parte do público. Terminaram com A Litle Taste of Fun.

Após um curto intervalo, seguiu-se a segunda banda portuguesa, Bizarra Locomotiva. A banda precursora do metal industrial em Portugal mais uma vez deu espectáculo. Para quem já está habituado a apanhar boleia nas várias ‘estações’ que a banda nos tem proporcionado, nota-se que a máquina está a funcionar cada vez melhor e é difícil não ficar contagiado com a energia que emanam. No tema Anjo Exilado, tiveram Tó Pica como guitarrista convidado e durante o concerto foram poucas as pessoas que não reagiram e pularam ao som da máquina. Mais uma estação bem sucedida.

A terceira banda a pisar o palco foram os finlandeses Moonsorrow. Esta foi a sua estreia em Portugal, apesar de já existirem desde 95. Subiram ao palco em tronco nú e como se estivessem ensanguentados. Tiveram uma boa reacção por parte do público e mostraram-se consistentes e com presença. O seu toque viking ao metal pesado que apresentam está muito bem conseguido e cativaram quem se encontrava na assistência.

Mais um curto intervalo e foi a vez da quarta banda se apresentar no palco. Evergrey, a banda sueca de metal progressivo, começou o seu concerto com velocidade, peso e energia. Os seus temas pesados e obscuros foram ganhando densidade à medida que o concerto avançava, coincidindo com o dia que também ia escurecendo. Após agradecerem ao público o seu respeito e solicitando igualmente o mesmo para as bandas que ainda iriam tocar, terminaram com The Touch.

Sonata Arctica foi a penúltima banda a subir ao palco. A banda finlandesa de power metal veio aparentemente quebrar um pouco o ritmo do que estávamos habituados a ouvir até ao momento neste primeiro dia. No entanto a banda demonstrou grande qualidade e poder. A melodia de peso anexada à voz poderosa e limpa do vocalista cativou os apreciadores de música de qualidade e complexa. Tony Kakko, o vocalista, dirigiu-se ao público perguntando se já alguém esteve “In Love” porque ele já escreveu muito sobre isso, no entanto, o tema que se seguia falava de um amor que acabou tragicamente mal. Terminaram com grande intensidade e receptividade por parte do público.
Mais um curto intervalo e os cabeça de cartaz, os italianos Lacuna Coil, subiram ao palco. A vocalista Cristina, chegou cheia de energia transmitindo-o com a sua linguagem corporal. O público reagiu muito rapidamente à energia que transmitiam e iam acompanhando os temas com entusiasmo. Logo após o terceiro tema, Andrea falou com o público, dizendo que já não vinham a Portugal há 10 anos e que agradeciam a recepção. Tanto a banda como os presentes sentiram o intercâmbio de energia e não ficaram indiferentes. Cristina garantiu que não iam ficar tanto tempo como desta última vez, sem regressar a Portugal, até porque está previsto o lançamento de um novo álbum e isso faz com que seja mais rápido o seu regresso. Imediatamente antes do tema Fragile, Cristina quis testar a receptividade do público com um pequeno teste vocal que o público respondeu com o maior empenho. Seguiu-se os temas End of Time e I Will Survive. Para apresentar o tema seguinte Cristina fala-nos de amor, mas de um amor diferente, associado ao sofrimento, o retratado em Intoxicated

O final do alinhamento estava reservado para a cover de Depeche Mode, Enjoy The Silence, momento em que uma grande parte do público cantou em uníssono com a banda. Saíram do palco mas regressaram ainda para um Encore de três temas. Terminaram em grande e intensamente com Spellbound.

E assim terminou para alguns o primeiro dia de Vagos Open Air. Para outros a noite seguiu-se para o pequeno palco que se encontrava à entrada do recinto de onde foram passando temas pesados para encher a noite.

Reportagem: Miriam Mateus
Fotos: Nuno Santos (todas as fotos no facebook da SFTD)

---> Report do 2º dia <---

27/07/2013

[Report] PRIMAL ATTACK + Switchtense + Revolution Within + Diabolical Mental State + Kapitalistas Podridão @ República da Música 19/07/13 - Lançamento de «Humans»



A República da Música em Lisboa presenciou no passado Sábado, 19 de Julho, a mais um momento que marca a história do metal, assim como do underground português.

Apesar de terem começado esta aventura em 2012, os Primal Attack, ganharam energias e formaram-se na estrada, deixando para trás o rótulo de projecto pós- Seven Stitches que até agora servia de ponto de referência no curriculum do vocalista Pica. «Humans» era portanto o resultado que muitos esperavam, e uma consagração de uma banda que têm tudo para se afirmar num meio onde as sonoridades com base em algum Groove/Thrash-Metal parecem prosperar e ganhar uma base de fãs solidas, como se verifica com alguns dos restantes nomes que preencheram o cartaz.


Coube aos Kapitalistas Podridão a honra de abrir o que se considera um cartaz de luxo, neste meio que cada vez mais chega a públicos diversos, naquele que foi o seu concerto de estreia. Com uma grande vertente política e ideológica tanto nas suas letras, assim como no discurso perante o público, a banda arrasou uma sala ainda a compor-se,  com um Death Metal em português que desde cedo despertou o interesse da audiência.
Kapitalistas Podridão
Uma introdução com algumas das vozes do nosso dia-a-dia politico, desde o ex-Primeiro Ministro Sócrates ao mais recente ( e já ex!) Ministro das Finanças Vitor Gaspar, deixando bem claro o alvo de temas como «Sanguessugas Esturpadoras» e «Podridão Nacional», como podem assistir nos vídeos que o SFTD gravou para vocês. Descalço e de tronco nu, Bixo de facto demonstrou-se um animal de palco, que se atirou às feras sem medo. A experiência de outras andanças fez-se notar, e até mesmo nesta rampa de lançamento a banda de Grândola não cedeu um milímetro num concerto que entrou facilmente no goto daqueles que fizeram questão de chegar cedo.
As faixas enfeitaram a rigor, e o cuidado em optimizar o som do P.A. só demonstrou empenho naquilo que fazem : fossem assim todas as primeiras vezes e a natalidade nacional teria outros valores... Uma performance de grande eficácia.


Há uns meses, os Diabolical Mental State tinham estado presentes na mesma sala, no lançamento do novo álbum dos Steal Your Crown, onde jogaram como possíveis outsiders, conseguindo ultrapassar essa barreira com alguma facilidade. Desta vez a realidade era outra. A sonoridade não podia estar mais de acordo. Sem assumir o protagonismo do conjunto da Moita, os DMS são a pouco e pouco siglas a decorar e muito se deve às suas performances entusiastas onde o dinamismo e a constante procura de interacção com o público faz aumentar a temperatura de qualquer recinto. O suor em palco fora superado pelo frenesim montado no mosh, onde a par e passo começava o bailarico a acontecer.
«Warfare» comprovou-se mais uma vez o pico do seu concerto com direito a um coro na frontline, dando ideia que a experiência obtida no meio da malta do hardcore criou frutos.

Diabolical Mental State

Revolution Within
A zona centro já tinha saudades dos Revolution Within. Outra estreia, desta vez em relação à sala, a banda deslocou-se a terra de mouros e sem contenção provou, mais uma vez, o porquê de «Straight Within» ser um álbum obrigatório. Os poderosos riffs que fluem das guitarras culminam numa pujante prestação vocal de Raça, que faz jus ao nome. «Pure Hate» madrugou na setlist, o que fazia prever um concerto sem espinhas e em contra-relógio. O single obteve reacções automáticas sendo que temas como « Straight From Within» e «Bleed» confirmações de mérito próprio.O primeiro grande momento, de uma noite de cariz quase familiar, coube à subida de Hugo ( Switchtense) para a já previsível «Pull the Trigger». As movimentações mais uma vez intensificaram-se, e a comunhão dos dois colossos é tão grande que de facto as semelhanças de ambos, desde os tiques de palco aos sufixos -alhos, sempre presentes, faz mesmo crer que temos dois irmãos de pais distintos. A humildade de ambos será eternamente um ponto que favorece a proximidade que estes conseguem com o seu público. Faz levantar a questão, de onde vem aquela raiva poderosa que preenche as letras de ambos?
Recuando uns aninhos ao álbum de estreia «Collision»,«Silence» não ficou de fora «Stand Tall» teve mais uma vez direito ao tradicional Wall of Death dando por terminado um concerto que pecou pelo tempo. A noite era de festa, e o foco era outro. No entanto, a audiência não desdenhará certamente uma possível passagem de futuro da banda à capital.
Revolution Within c/ Hugo Andrade

O traçado da banda oriunda de gentes da Moita ajudou a desbravar muito do que é hoje a realidade do metal nacional, e muito concretamente neste sub-género em questão. Não é por acaso que dificilmente se fala das restantes bandas sem fazer referência aos Switcthtense, que se com «Confrontations of Souls» abalaram, e «Switchtense» serviu de confirmação, o mais recente «X Unbrekable Years» cheira a consagração. A verdade é que não há qualquer tipo de vergonha em afirmar o seu sucesso.

Se muitos apontavam o estrangeiro como o futuro possível da banda, numa epopeia semelhante aos Moonspell, hoje nasce a dúvida se a sua mística não passa pelo seu reinado incontestável em território underground lusitano onde são réis legítimos e com o aval do povo.Curiosamente, este concerto serviu de estágio para o maior festival metal/hardcore da Península Ibérica em 2013, o Resurrection servirá certamente de montra, assim como para os compatriotas For the Glory e Devil in Me. Pelo que se tem testemunhado, os espanhóis não ficarão certamente indiferentes.
«Face Off» abriu uma sequência que soa a best of, onde os timings da setlist estão feitos de forma a maximizar a experiência do público, quer no mosh como fora dele, onde o sing along e o headbanging foram constantes. «Second Life», do primeiro álbum «Confrontations of Souls» seguiu-se de rompante, mas «Right Track» ultrapassa o nível de euforia, revelando que no caso dos Switchtense, melhoram a cada passo, não ficando presos a temas incontornáveis como « State of Resignation», distribuindo doses de violência sonoroda (no bom sentido) nos singles «Unbreakable» e no velho hino «Into the Words of Chaos».
Neto é um guitarrista super carismático, mas a musicalidade de Pardal, Karia e a qualidade técnica de Xinês (que também o prova no seu novo projecto Awaiting the Vultures) enchem a sala numa atmosfera caótica e por vezes mesmo apocalíptica criando momentos de grande intensidade nos sucessivos circle-pits.

Switchtense
Na voz, pouco mais se pode acrescentar ao que fora dito diversas vezes: Hugo é um pujante colosso que irradia uma aura de grande humildade, deixando bem claro que isso  nunca mudará ( «We Will Always be the Same»).

«Infected Blood», em tom de despedida vitoriosa, catalisou a multidão a libertar as restantes energias  ao fim de um concerto devastador que provou ser o grande ponto a favor na composição do cartaz.


Os senhores (mestres-de-cerimónia) da noite no entanto eram outros.
Primal Attack

Primal Attack é sinónimo de banda em ascensão. Comecei o texto com uma arriscada introdução onde falo de história, «Humans» é o primeiro passo oficial para credibilizar a banda que aos poucos têm passado de preencher, a criar interesse próprio por parte do público.

Muito se escreve sobre o vocalista, deixando no ar uma certa descredibilização perante o colectivo.Miguel Tereso e Tiago Câmara têm um leque de riffs de um groove que prova qualidade na facilidade em entrar no ouvido, algo que no groove deve ser um aspecto de valor.Miguel Miranda e Miguel Tereso ( ena tantos Migueis!) enchem o ambiente com o poder dos graves do baixo e bateria como se verifica por exemplo em «Time to Reset».

O alinhamento do concerto por razões obvias, não fugiu ao previsto, sendo que «Humans» fora tocado num registo de principio ao fim. 8 temas de grande intensidade, onde «Despise You All» mais uma vez com o convidado de serviço, Hugo, teve a melhor reacção por parte do público que aplaude as demonstrações de carinho e amizade que só o underground proporciona.

Primal Attack
Os temas foram sido postados nas redes sociais ao longo do ultimo mês, num hype frenético que antecipava este momento. «Mindwalker» , «Not Enough» e «Time to Reset» não faltaram mais uma vez, mas a surpresa passa pela estreia de «Road to Nowhere».
Pica não soube esconder o entusiasmo ao longo da actuação, e mais uma vez demonstrou o porquê de ser um frontman que fica na memória do público. «No Respect» servido na despedida numa bateria avassaladora, puxa pelo corpo, não tento qualquer tipo de piedade ou misericórdia pelos presentes. Um encore mais do que merecido repetiu a oportunidade de ficar afónico ao som de «Despise You All», tema chave do pequeno mas promissor reportório dos Primal Attack.

Noite de celebração na República da Música onde o Groove Metal, de grande qualidade, demonstrou que o metal de grande qualidade não é coisa além fronteiras.
Mais uma vez, a Hell Xis premiou o público com esta oportunidade de conseguir seguir de perto grandes bandas sem os clichés, ou valores acima de muitas bolsas como se verifica nos festivais do circuito de Verão. 

Texto/Vídeos: Tiago Queirós


















20/06/2013

[Report] 10º Aniversário W.A.KO. + Primal Attack @ Rep. Música 15/06/2013 (c/vídeos)

2013 é ano de grandes datas no mundo do Metal português. Já apagamos as velas do 20º aniversário dos Bizarra Locomotiva como do 10º dos Switchtense. Chegou a vez dos W.A.K.O., ou We Are Killing Ourselves, numa noite onde não faltaram os temas chaves da sua carreira.

Se noutros tempos os W.A.K.O. eram referidos como uma das grandes promessas do metal em Portugal, hoje são consagrados dentro de um underground que passa por algumas difículdades. A sua carreira já é feita de belas memórias. Poderíamos relembrar o wall-of-death na abertura de Soulfly no Coliseu em Lisboa, ou talvez o final de tarde memorável no Festival Ilha do Ermal. Talvez as suas passagens pelas Rockline Tribe, e não relembro apenas o ultimo festival, ou com Breed 77,  recordo-me  de uma passagem pelo Santiago Alquimista onde deram a conhecer a muita gente o novo ponto de referência da noite do público rocker/metaleiro da capital.
Uma década de memórias que compõe um sonho começado em Almeirim e que se alastrou pelo mundo fora, com tours internacionais promovendo o metal português da melhor forma possível.

O encerramento do Ritz Clube ditou que esta celebração fosse deslocalizada para um espaço já bastante familiar dentro da família do underground lisboeta, a República da Música.
Se nos tempos áureos do nu-metal, a tal Geração X pós-Pantera enchia recintos, fazendo frente aos lendários concertos no Dramático de Cascais, e onde a entrega do público era suada, no presente comprovamos tempos menos hospícios a tamanha comunhão. Restam poucos mas bons!
Na passada noite de sábado temia-se uma sequência da realidade de outros eventos semelhantes. Apostou-se numa promoção constante, onde as redes sociais mais uma vez funcionam a favor das bandas underground. O chamamento constante de Nuno Rodrigues e Cª foi correspondido e os fans compareceram em peso.

Peso é de facto a melhor forma de caracterizar os dois concertos da noite. Em comum têm um público dado ao metal de nova geração, que busca muitas referências à nova vaga de metal norte-americano ( e não só). Estes têm a lição estudada e os seus ídolos não se prendem apenas a uns Metallica. São conhecedores de causa, e não contemplam sem o devido valor.

Os Primal Attack, nessa perspectiva, são dos melhores exemplos de novos projectos que buscam o carisma das grande bandas de groove, incontornavelmente comparadas aos Machine Head, aplicando a falta de dimensão à entrega mais familiar. O frontman, Pica, é de facto um dos melhores exemplos da versatilidade de um vocalista, que não se prende apenas aos tecnicismos demonstrando um nível de entrega apenas permitido a quem realmente tem gosto naquilo que faz.

O álbum de estreia "Humans" tem sido antecipado, concerto a concerto, e neste a banda avançou a data da sua apresentação para dia 19 de Julho, no mesmo recinto, com um belíssimo cartaz a condizer ( Switchtense; Revolution Within; Diabolical Mental State; Kapitalistas Podridão). Temas como « Not Enough», « Time to Reset» , «Mindwalker» e «No Respect» (solo muito ao estilo Jeff Hanneman)  são exemplos te temas de calibre que apelam constantemente ao headbanging com ritmos rápidos e breaks com secções rítmicas viciantes. « Despise You All» é já o tema chave da banda, sendo já bem reconhecido entre os presentes.

Cheio de influências do thrash moderno com o groove rasgado a pequenos  pormenores de Death, os WAKO conseguem encaixar plenamente no imaginário de exemplos como os Lamb of God, Gojira e até mesmo de uns Meshuggah. Esse feito pouco linear deve-se à capacidade de conseguirem transmitir as suas influências em composições que não se encaixam em rótulos demasiado definidos de forma única. Os temas são trabalhados de fio a pavio, sendo resultado de excelentes trabalhos de produção. Ao vivo, mais uma vez constatou-se que são "animais" de palco atacando uma setlist bem estudada ao longo da sua carreira, sabendo os timings perfeitos para atacar músicas já consideradas como clássicos do metal português da ultima década.
« Shape of Perfetion» abriu as hostes mais uma vez, tal como o faz no ultimo álbum da banda, «The Road of Awareness» .  "Soul be high, darkness fall when dreaming", cantaram os fans numa madrugadora «Eternal Spiral» relembrando os tempos em que os WAKO vingavam no mercado com o seu primeiro álbum de longa duração, «Deconstructive Essence» de 2007.
Estes dois álbuns foram os pilares de um concerto distante dos de 2003/2004, sendo fácilmente explicado pela evolução, em todas as frentes, da banda tanto como colectivo como individual - em termos técnicos provam ser músicos de grande nível.

Uma bomba lançada em «Dissonant Dark Dance» foi seguida de uma «My Misery» presentada como aquela balada que todas as bandas de metal têm de ter. A voz de Nuno é de tal forma grave que torna este tema algo singular.

 Uma sequência com «Drifting Beyond Reality», que têm conquistado novos públicos, «Abyss» que faz a vontade aos que os têm seguido à mais tempo, e um «Extispicium» que relembra temas mais old-school com a qualidade de produção de Josh Wilbur ( Lamb of God; Hatebreed) só poderia reflectir nos melhores momentos da noite onde as movimentações no pit fizeram-se sentir com direito ao já clássico Wall-of-Death. Este último com o convidado Daniel Cardoso (produtor) na bateria, que bem recentemente tinhamos assistido no concerto dos Kandia no Rock no Rio Sado. Para além de estar envolvido em alguns dos melhores álbuns metal portgueses, é também ele um músico multi-facetado. 
«Coronation of Existence» e «Unknown Life» foram os temas de despedida de um concerto que prova que João Pedro, a par do Neto dos Switchtense, relembram o imaginário de Dimebag Darrel e que aliado a André Sobral a cargo de solos de grande nível, perfazem uma dupla infalível. Na bateria o pedal duplo é uma constante, com Bruno Guilherme incansável. Nuno Rodrigues dispensa apresentações e a sua fama provém de uma capacidade única de projectar a voz sem grandes efeitos, não só em álbum como no palco.

A WAKO Army têm uma relação de proximidade com a banda, e Tiago Mesquita proporcionou um belo momento ao partilhar o palco com os seu ídolos a cargo da guitarra, num momento que certamente ficará perdurará na memória deste 10º aniversário.

Num futuro próximo os W.A.K.O. vão voltar a fazer uma tour por terras de Sua Majestade a par dos Breed 77 com quem partilharão o palco também em Portugal a 27 e 28 de Setembro, na República da Música em Lisboa e no Canecas Bar em Paços de Ferreira.

A Songs for the Deaf Radio deseja aos W.A.K.O. os parabéns por uma bela carreira que esperemos durar, pelo menos, outros dez com agendas preenchidas e novos álbuns ao nível dos primeiros! 
Stay Heavy , stay WAKO!! 
Texto: Tiago Queirós
Fotos: Nuno Santos (mais na página do facebook)
Videos: Tiaqo Queirós/ Nuno Santos

Mais vídeos:





18/06/2013

[Report] 2º dia Rock no Rio Sado 2013 - NOIDZ + Kandia + The Fuzz Drivers + Dream Circus (c/ videos)

O segundo dia de Festival era sem dúvida um momento de alto-risco na aposta da organização. De facto as bandas apresentadas não têm um estatuto mediático assinalável, e tendo a noção que a área geográfica não têm o poder de compra ou o nível demográfico lisboeta, parece impensável cobrar certos valores. Não se trata de descredibilizar o cartaz, mas apenas constatar como funciona o mercado de oferta e de procura.

13/06/2013

[Report] 1º dia Rock no Rio Sado 2013 - MOONSPELL + RAMP + Grog + Low Torque (c/ videos)

A primeira edição do Rock no Rio Sado era já à partida um risco assumido de forma orgulhosa pela organização. Apostar num cartaz 100% nacional, numa zona vincadamente afectada pelas dificuldades económicas que o nosso país atravessa, demonstrava um certo optimismo face ao evento em si. Juntemos uma dose de chuva, durante o dia, e uma "bela" e monótona  prestação da Selecção Nacional de Futebol no estádio da Luz em simultâneo com o horário de concertos (e com aqueles descontos em cartão Continente..). A coisa estava complicada...

31/05/2013

[Report] Iron Maiden - Maiden England Tour 2013 @ Meo Arena (com vídeos)

A contagem decrescente para esta passagem dos Iron Maiden foi feita numa escala ansiosa de meses. Encher o Pavilhão Atlântico ( agora denominado de Meo Arena) era uma certeza quase absoluta que veio a ditar uma procura intensa logo nos primeiros dias, no fim de contas trata-se de uma das maiores bandas de heavy-metal à face desta Terra (e de outras tantas possivelmente). As previsões cumpriram-se, e a mancha negra, mais uma vez, não perdeu a oportunidade de se reunir numa comunhão que já se pode considerar familiar onde as diferentes gerações não se distinguiram nos sucessivos coros que se verificaram ao longo do concerto.

30/05/2013

[Report] The Fuzz Drivers + Low Torque + X-Size @ Side B, 24-05-2013

The Fuzz Drivers
Na passada sexta-feira, 24 de Maio, juntaram-se em Benavente três dos melhores projectos Rock que temos visto por aí.

Em mais um Warm Up para o Rock no Rio Sado (que terá lugar a 7,8 e 9 de Junho em Setúbal), desta vez no Side B, e com uma moldura humana aquém do que mereciam estas bandas.


X-Size




A abrir a noite, no que foi para nós a surpresa da noite (uma vez que já conhecíamos as demais bandas) estiveram os X-Size, com um um Hard-Rock extremamente competente, assente em perfeitas melodias das guitarras, e já a denotarem uma boa coesão, destacando-se pela presença em palco o carismático vocalista Alex Van True. A ver de novo!






A seguir entraram os LOW TORQUE (com agradecimento por parte de Marcelo, vocalista dos The Fuzz Drivers, por terem aceitado tocar antes destes). 
Low Torque
A banda mostra-se perfeitamente rodada, tudo saindo como pretendido. Com uma grande dinâmica e um som praticamente na perfeição, rodaram o seu álbum homónimo e ainda apresentaram uma nova faixa. 
A guitarra de André Teixeira desmultiplica-se em riffs, solos, leaks, parecendo por vezes haver mais de um guitarrista em palco, dando ao seu Stoner/Southern Rock um peso extasiante, mais propício ao headbanging, potenciado pelo incansável Arlindo Cardoso na bateria e tudo colado pelo omnipresente baixo de Miguel Rita.

Na voz, Resende domina o palco com enorme à-vontade e intensidade, se bem que o microfone parecia o elo mais fraco deste concerto.

Para terminar, e como não poderia deixar de ser, sendo este concerto parte da sua "Discordia Tour", tocaram os The Fuzz Drivers. 
Cada vez me sobram menos palavras para descrever a actuação e sonoridade desta banda, que vai buscar influências ao "grande" rock dos 70's e 80's, com claras influências de Zepellin e algum psicadelismo à mistura. No entanto conseguiram transformar esse caldeirão de sonoridades num som próprio, em que a grande finalidade são as grandes canções, com refrões orelhudos, e melodias encantadoras que não nos largam durante um bom tempo. 
Marcelo é um dos melhores vocalistas que tenho visto neste registo (um pouco a la Robert Plant) e com um espírito contagiante, como se estivesse a cantar para uma multidão, transmitiu um bom vibe à plateia. 
Depois está rodeado de excelentes músicos, um baixista com grande presença (João) que constrói com o "polvo" (parecia que tinha 8 braços, como se viu num já pouco habitual solo de bateria) Duarte uma base sonora onde permite que a excelência de Sérgio na guitarra nos eleve para outros mundos. Grandes solos, riffs, refrões, ou seja tudo na medida certa para se fazer excelente música.
Parabéns a todas as bandas e a quem teve a oportunidade de os presenciar.


Setlist Low Torque

1. Karmageddon

2. Poisoned Lips, Dead Tongue
3. Vampires!
4. Moving Forward
5. Hating Haters
6 Concrete Rain
7. Hellraisers
8. I Versus Me
9. Sir Traline
10. Headstone
11. Desert Cage
12. Stripped Down To The Blood
13. The Vicar's Vow (nova!)

Setlist The Fuzz Drivers
MAMA TOLD YOU 
SHINE
EATS ME UP
WHITE LIES
INTO THE SUN
LIGHT IT UP (MEDLEY ROCK AND ROLL + TIE YOU TOUR MOTHER DOWN) 
UNTIL IT BLEEDS 
CARVED TIME 
HARD TO HANDLE 
DISCORDIA SONG 
THE POET AND THE THIEF


Texto/Fotos : Nuno Santos

Todas as fotos aqui

26/05/2013

Another Night At The Box VII: Anti Clockwise + Gazua + Ciro


Another Night At The Box VII: Anti Clockwise + Gazua + Ciro

Todos os caminhos foram dar ao Bairro da Graça, para um evento em conjunto com a MAIS SORRISOS , e as Bandas Ciro, Gazua e Anti-Clockwise, juntos na Caixa Económica Operária, para festejar mais uma noite dedicada ao Rock 'n' Roll, com o intuito de angariar bens de primeira necessidade para os mais desfavorecidos

Ciro


Alinhamento:
1. Trapaça
2. Já era
3. P´ra frente
4. Desfolhada
5. Hora de Rachar
6. Se não passa
7. P´la boca
8. Isso já não se faz
9. Bonita
10. Sempre a desatinar 

Gazua


Alinhamento:
Intro
1. Outro Lado
2. O Inimigo Sou Eu
3. Alma Cizenta
4. Respira
5. Ela Era Agonia
6. Raiva
7. Fazia Tudo Outra Vez
8. Música de Volta

Anti-Clockwise


Alinhamento:
1. Sing the Blues
2. Love Bomb Baby
3. Fucked Up the Brain
4. Sing Alone
5. Basic Man
6. Room With the View
7. Fashion Up the Ass
8. Stay Cool
9. Safe European Home
10. Rock tihs City Down
11. Flying Bricks
12. Last Train
13. All I Want

After Party Lena Kat e Yoggdrasil.

Podes ver aqui as fotos do evento.

Texto e fotos : Joana Marçal Carriço


22/05/2013

[Report] Steal Your Crown - Apresentação de «Throne of Infamy» com For the Glory, Challenge, Diabolical Mental State, Above the Hate e No Clue @ Rép. Música 18/05/2013 (com vídeos)

No passado dia 18 de Maio (sábado), a Songs for the Deaf Radio juntou-se aos «putos do hardcore» na apresentação ao vivo do àlbum «Throne of Infamy» dos Steal Your Crown na República da Música em Lisboa, proporcionado pela Hell Xis.
«São como bandos de pardais à solta / Os Putos, os Putos» - eternizou Carlos do Carmo.
O fadista lisboeta, como muito boa gente, deve desconhecer a existência destes «putos» que muitos parecem temer ou que simplesmente são alvo do julgamento alheio.
De facto, este bando de pardais à solta é um fenómeno social único, e um movimento mais do que simplesmente respeitável no nosso país.

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