23/08/2018

[Report] Laurus Nobilis Music Famalicão - Dia 2

Esta reportagem é em modo rescaldo de um dos muitos eventos da época, o Laurus Nobilis Music Fest em Famalicão, pois não queremos deixar de recordar os acontecimentos que têm vindo a marcar o ano de 2018!


Chegados ao terceiro e último dia do evento e depois da almoçarada no camping semi-vegan feita com a turma do costume e de brindarmos com o Loureiro à performance de alguns artistas presentes, que tocaram no palco Faz a Tua Cena durante a tarde como já referimos na reportagem do dia anterior, foi tempo de nos prepararmos para a abertura do Palco Estrella Galicia.

Vindos de Sintra os brothers Legacy of Cynthia tiveram a seu cargo as honras de abertura das hostes naquela tarde caliente.


A simpatia em palco de Peter Miller o vocalista e a alegria dos músicos, exigiu de nós com o tema 'Lygophilic' o sacrifício de sermos aniquilados em fumo pelo sol e nós 'demos-nos à morte' para a 'Danse Macabre', álbum lançado em 2016.


Foi essa maior dádiva do público! Não resistiu ao som da banda e não parou de pular e saltar com os músicos que eufóricos com a reacção, respondiam com mais riffs, timbalões e voos de Liberdade do teclado, a combinar com o calor sentido.

A meio do concerto estávamos todos em ebulição, literalmente.

Bebe-se uma cerveja de um gole só na barraquinha mais próxima e o suor escorria mas voltámos para participar na festa e explodimos com o tema 'Cabaret!'

Excelente actuação e com a alegria contagiante que os caracteriza, presentearam-nos com a estreia ao vivo de dois novos temas, sem nome(?), do seu novo trabalho que sairá em breve! Estamos ansiosamente atentos!


De seguida subiram a palco os Low Torque com o seu Chapter III: Songs from the Vault em pleno voo..


David Pais tinha molas nos pés e saltava como se quisesse agarrar os céus enquanto o público circulava em movimento pendular, em headbang ou em saltos. Um show cheio de pica e excelência musical!

Foi de novo tempo de buscar agasalhos à tenda, estas diferenças térmicas cansaram em dobro os campistas, tal foi o desconforto nestas 3 noites.

Vamos lá então falar do tempo e das condições do recinto.
Lamentamos referir que o espaço de camping deixou muito a desejar para quem tinha de passar mais de duas noites ao relento. A densa húmidade da noite e o calor abrasador não permitiu descansos reparadores depois da 'sova' dos concertos.
Na página do evento houve hipótese de reservarmos antecipadamente os 'melhores' lugares e quando chegámos ao recinto no dia 26 ninguém nos indicou, nem existiam os ditos e tivemos que colocar a tenda onde houvesse espaço, neste caso ao sol.
As sombras e abrigo de árvores eram quase inexistentes e a colocação da saída de viaturas de emergência onde haviam 3 grandes árvores de copa generosa, foi a pior opção. Segundo a organização, não pudemos acampar ali devido à questão de segurança e probabilidade de fogo e éramos rapidamente despachados depois de ali na sombra, fazer as nossas refeições visto ser possível levar fogareiros ou camping gás, permissão essa questionada por nós aquando da já mencionada e antecipada 'reserva'.

No recinto as bancas de merch, de comes e bebes, disposição da esplanada e locais de cerveja estavam muito bem localizados mesmo sem existir a opção vegan para os muitos dos festivaleiros que assistiam, dificultando assim ainda mais a vida aos que acampavam.
Assim, queríamos sugerir a esta e todas as organizações de eventos que tenham atenção com o público, que lhes proporcionem o melhor conforto possível, dentro das regras de segurança, para que seja para todos uma boa experiência, não só pela bela música e qualidade de som que nos oferecem mas também pelas  necessidades básicas garantidas aos campistas.

Enumeramos assim algumas melhorias:
-manter as reservas mas efectuar um controlo à chegada limitando o número de 'melhor spots'
-colocar a saída de emergência de forma que não interfira com o acesso a sombras, visto estas serem poucas para os campistas neste recinto.
-colocar estacas dispersas onde atar toldos ou nas reservas dar algumas recomendações para trazer tendas resistentes, chapéus de sol e/ou toldos para criar sombras e protecção contra a humidade.
Quem sabe idealizarem um mega toldo artístico com a participação da associação, poderá ser uma ideia interessante com a utilização dos recursos do local.

Relativamente à segurança, que num ambiente de mato é efectivamente e demasiadamente importante para descurar. sugerimos a opção de colocar um grelhador comunitário para que haja um lugar seguro para cozinhados ou avisar os campistas da proibição de fazer fogo e estes teriam de procurar alternativas durante os 3 dias dentro ou fora do recinto ou porventura trazer farnel.

Também a questão da limpeza dos wcs e recinto também tem nota negativa para os campistas, além de serem poucas e algumas estavam colocadas fora de alcance imediato no palco Porminho as ditas na 6a dia 27 de manhã já estavam impróprias e só foram limpas no dia a seguir! Tal como o lixo recolhido.
O desconforto foi sempre em crescendo mas fomos resignando-nos a suportar a favor do bom ambiente que apesar de tudo, teimou em reinar!

O público é que faz a festa e que 'sustenta' este mundo da música e contamos com as organizações para uma melhor recepção e criação de condições mínimas para eventos que ultrapassem as duas noites ao relento com regras de segurança e higiéne garantidas, é claro!

Tenho a certeza e por experiência própria de o poder dizer, pois acampo sempre que possível nos recintos, que as melhorias servirão também de chamariz e aumento da nota de  qualidade dos eventos!

Valerá assim a aposta das organizações que com soluções simples, podem melhorar o campismo exponencialmente e aumentar o sucesso das suas actividades! Aqui ficam as minhas humildes recomendações!

Posto isto, vimos quase de relance a parte final do concerto dos Revolution Within, mais uma banda old school que encerra a tarde do palco Estrella Galicia em apoteose!
Esta banda é perfeita num alinhamento festivaleiro pois trazem-nos o seu mais puro e energizante thrash metal. Contaram nesta atuação com a participação de Diogo Pardal dos One Step to Fall no tema 'Pull The Trigger'.

Reencontros de amigos e muitos abraços dados, opta-se por molhar a goela com mais uma Galicia.

Ao atravessar o recinto em direcção à esplanada foi irresistível pular e no final do concerto reagir aos apelos do Raça para o mosh.
A banda provoca sempre o seu público e a irmandade responde em massa, o mote desta banda animada é sempre fazer a festa em cada concerto! Mais um excelente momento de música e festa!

De regresso à esplanada e repetir o jantar da bela da bifana e regressámos à tenda para buscar equipamento e preparar para a minha primeira entrevista com uma banda de renome, os Dark Tranquility! 
A noite esperava-se potente a adrenalina corria nas veias do público quando os The Temple subiram ao palco Porminho para fazer a abertura.
Foram tremendos como esperávamos e com o som especialmente potente elevaram-nos ao rubro!
Os temas frenéticos do 'War Dance' entravam-nos pelo peito adentro e não conseguimos parar o headbang.
Sempre nos deram este tipo de concerto cheio de energia mas a vê-los pela primeira vez num grande e bem equipado palco, foi estrondoso. A performance e atitude dos músicos puxava por nós e juntámos-nos ao rodopio e participámos no circle pit e mosh 'desgovernado' perdendo totalmente o controle, em modo felicidade!

Muito divertidos ainda nos deram o mítico show da bateria tocada a 8 mãos, de 4 músicos da banda, com ritmos afro que nos colocou a todos de sorriso nos lábios e aos pulos acompanhando o ritual e a tribo rejubilou!
Excelente show e mais uma bela abertura de hostilidades neste palco!

Seguiram-se os Crisix, já os conhecíamos de os termos visto no SWR Barroselas e com a quantidade de nuestros hermanos no recinto foi fácil sentirem-se em casa.

O thrash fluia sem quase pausas entre os temas e a resposta do público elevou de nível quando fizeram um medley de covers de temas conhecidos de rock n'roll mais old school.

Também tiveram a participação dos músicos  B.B. Plaza e Albert Requena e o circle pit deambulou em crowdsurfing e muitos pulos e mosh.

Um espectáculo aguardado e apreciado por muitos!

No concerto de Tarântula, que fizeram o encerramento do recinto Porminho, aproveitámos para reunir e colocar as ideias em ordem e preparar a entrevista aos suecos Dark Tranquility!
A expectativa e os nervos eram grandes e de improviso elaborámos umas questões que encaminharam a bela conversa com o vocalista Mikael Stanne.
Não sabíamos que iria ser o vocalista a receber-nos por isso foi uma agradável surpresa.
Por eu ter estado na Noruega pude trocar umas palavras amigáveis na sua língua com que nos ajudou a quebrar o gelo inicial e a partir daí conseguimos as duas, eu e a Joana Marçal Carriço, entrar numa conversa fluída e interessante com o líder da banda.
O tempo da entrevista passou demasiado depressa pois estavam prestes a subir a palco, mas ainda deu tempo de tirarmos uma foto para a posteridade e com direito a um abraço forte e sentido do nosso ídolo do momento! Foi muito simpático e afável este encontro!

Deixamos aqui um obrigado especial na sua língua! - 'Takk skal du har Mikael! Vi elsker dere!'

Os DT deram um concerto intimista no qual o vocalista não se inibiu de tocar os corações e mãos do público e em abraços fechou o concerto com o tema 'Misery's Crown' deixando um ambiente de carinho e agradecimento em todos os que se encontravam no recinto! Excelente concerto e esperamos vê-los de volta ao nosso país com o seu novo trabalho, um lugar que a banda já considera como ponto de passagem obrigatória!

Saímos do recinto em estado zen e de sorrisos no rosto fomos ao palco Estrella Galicia ver a novidade da noite os The Godiva.

Mais uma vez vemos em palco o superman da noite André Matos, um dos músicos nacionais com mais projectos activos em simultâneo! Era frequente encontrar o rapaz no evento ao virar de cada esquina em trabalho ou em palco, daí o nick de Superman!

Ele está em todas e desta vez traz-nos de volta após um hiato demasiado longo de quase uma década, os The Godiva.
A banda que representa o estilo death metal saído ali da Vila Nova de Famalicão, encerrou em beleza a festa da terra.
Depois de lançarem em vídeo o tema 'Empty Coil' esta foi a oportunidade perfeita para subirem a palco e testarem o seu regresso ao vivo!

O resultado foi de um som poderoso e intenso cheio de talentos musicais com um visual único e uma grande performance quase teatral. A simpatia dos músicos alegrou a plateia em mosh e em headbang caloroso, apesar do frio da noite.
Pode esta terra encher-se de orgulho da banda que eleva o seu nome, numa festa bem organizada no seu todo e com tudo para se tornar de facto, na nova meca do metal em Portugal!

O final da noite ficou de novo nas mãos de  DJ Nattu que agradou aos locais.

Já o dissemos e voltamos a dizer pois nunca é demais que a organização está de parabéns com os objectivos conseguidos e os projectos futuros assegurados, por isso louvamos o Laurus e agradecemos a recepção simpática de todo o staff sem excepção e desejamos longa vida para este evento!
Nós não faltamos!
Até pró ano!





Texto: Ana Neves
Fotos:  Joana Marçal Carriço
Agradecimentos: Laurus Nobilis Music Fest 

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