13/04/2018

[Report] Insomnium e Tribulation numa noite mágica em Lisboa


A segunda parte da tour europeia dos finlandeses Insomnium passou por Portugal: depois do Hard Club no Porto, foi a vez de, na passada terça-feira dia 10 de abril, o RCA Club em Lisboa atravessar o “Winter’s Gate”, último registo do grupo, que parece não perder fôlego e que passado mais de um ano de estrada continua a encher as salas por onde tem passado.

Em promoção do fresquíssimo “Down Below”, vindo também das terras nórdicas, os Suecos Tribulation faziam as honras de abertura.
Apesar da chuva que se abatia sobre a noite lisboeta, quando os suecos subiram ao palco, já a casa se encontrava muito bem preenchida. O público "madrugador" recebeu o conjunto com metal horns e foi presenteado com o primeiro avanço da noite ao último álbum, ‘Lady Death’, que em crescente conseguiu logo quebrar o gelo, fundindo uma certa teatralidade com uma grande entrega na execução dos instrumentos e na penetrante voz de Johannes Andersson
Contagiante a maneira como se movem em palco, sendo que Jonathan Hultén destaca-se particularmente nesse capítulo, requerendo para si o maior espaço do palco, bailando com a guitarra numa espécie de ritual de encantamento da mesma, sentindo no corpo todas as notas que toca. 
Com o embalo dos aplausos recuaram um pouco para tocarMelancholia’ do álbum “The Children of the Night” começando a viagem pela progressão do death metal do álbum de estreia “The Horror”, que deixaram de fora da setlist, para esta imaginativa fórmula de influências progressivas no género, que funde riffs do heavy metal, com teclados do gothic metal e a voz do black metal, em narrativas de horror e morte, fazendo com sucesso uma ponte de ligação entre o som underground e as vertentes mais mainstream do metal.
Com uma plateia muito recetiva prosseguiram tocando temas de “The Formulas of Death” e “The Children of the Night” fazendo uso de um contraponto inteligente entre as guitarras, que encontram sempre espaço para brilhar nos riffs complexos e nos virtuosos solos, são essas sonoridades mais heavy metal, mais clássicas que contrastam a presença demoníaca da voz e de uma maneira original e refrescante entram na alma dos presentes. 

Na reta final retornaram ao último trabalho com ‘Nightbound’ antes de ‘The Lament’ hipnotizar os fãs com o solo de abertura e terminar com a maior ovação até ao momento. 
Despediram-se com ‘Strange Gateways Beckon’ abandonando o palco com a casa cheia e um coro de aplausos generalizado.

Com o RCA Club esgotado ou muito perto disso, seguiu-se aquela que é atualmente uma das melhoras bandas a compor death metal melódico.

 A sucessão de grandes trabalhos desde a estreia com “In the Halls of Awaiting” conduziu-os até à magnânima fábula gélida “Winter’s Gate”, à qual dedicariam a primeira parte da atuação tocando-o na integra, conduzindo a plateia juntamente com o bando de vikings em busca de uma ilha lendária sob o traiçoeiro inverno, gélido e taciturno, um conto adequado ao peso da sua música que se prende à narrativa com as melodias melancólicas que rompem por entre o peso do death metal, e que pareceu interiorizada por uma plateia que se lançou em headbangings desde a primeira nota que tocaram, e que reagia a tudo que provinha do palco, contagiando a banda com aplausos e gritos ruidosos.
Terminada a primeira parte, acendem-se a luzes e a banda mostrou-se mais comunicativa deixando de lado o “modo” narrador para adotar a fórmula de um concerto mais tradicional, focando-se agora em tocar os clássicos que os fãs exigem, deixando mesmo assim algumas obrigatórias como por exemplo ‘Through the Shadows’ e ‘The Elder’.
O ritmo pulsante de temas como ‘While We Sleep’ e ‘Down With the Sun’ iguala a pulsação do coração e a emotividade deixa as músicas a ecoar no pensamento, estatelando um singelo elo de ligação entre o palco e toda a gente à sua frente. Chuva de aplausos atrás de chuvas de aplausos os temas vão desfilando construindo paisagens gélidas e melancólicas ao mesmo tempo que a temperatura na sala chega ao ponto de ebulição. 
Uma última saída de palco para retornarem e se despedirem do público nacional com ‘Only One Who Waits’ e deixarem imediatamente saudades assim que os seus vultos desapareceram de palco deixando o eco dos aplausos a vibrar nas paredes.

Bela combinação de bandas, tão distintas, mas que se complementaram muito bem, merecendo o público que não cedeu à chuva e encheu aquela que é uma das salas que melhores concertos tem proporcionado em Lisboa, e que permitiu um momento intimista com dois conjuntos cujas últimas passagens por Portugal foram em festivais. 
Última nota para a pontualidade com que tudo decorreu, sempre louvável particularmente em dia de semana.
Texto: Henrique Duarte
Fotos: Joana M.Carriço
Agradecimentos: Prime Artists

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