28/02/2018

[Report] Therion, Null Positv, Imperial Age e Midnight Eternal @ Lisboa ao Vivo

Depois de uma salutar passagem por Portugal no ano passado no Vagos Metal Fest que soube a pouco, os Therion retornaram a território nacional para tocarem uma set list completa, encabeçando a tour de promoção de "Beloved Antichrist", o monumental projeto de ópera metal que a mente criativa de Christofer Johnsson deu vida. Como convidados traziam consigo o metal sinfónico dos americanos Midnight Eternal e dos russos Imperial Age e a indomável pujança do metal alternativo dos alemães Null Positiv.
                
Em dia de semana e com o início de atuação marcado para as 19 horas, não foi surpreendente que quando os Midnight Eternal subiram ao palco, encontrassem um sala ainda muito despida.


Facto que contribuiu para a acústica difícil que os acompanhou durante toda a atuação, não impossibilitando mesmo assim uma boa atuação, onde o quinteto demonstrou, ainda que sem originalidade, o domínio dos princípios do metal sinfónico, compondo temas de qualidade que a vocalista Raine Hilai eleva. O passado em artes de palco confere-lhe uma boa presença, mas é a sua voz que a destaca, seja num registo mais nasalado, ou num registo mais clássico como em ‘The Lantern’, que preenche a melodia com uma beleza cativante.
                
O pouco público que os recebeu, esteve em sintonia com a banda, não deixando de lhes oferecer uma recessão calorosa, vibrando com os temas do único álbum da jovem banda, com destaque para ‘First Time Thrill’ e ‘Signs of Fire’ com o qual terminaram os cerca de 40 minutos de atuação. Uma primeira passagem por terras lusas muito auspiciosa.
               

Com a casa um pouco mais cheia e destacando-se da toada metal sinfónico da noite, foi a vez dos alemães Null Positiv se lançarem à conquista da plateia. 

Elli Berlin irrompe no palco e o impacto fraturante da sua voz provoca um abanão na sala, encontrando logo de início uma fração da plateia disposta em embarcar com eles numa viagem cheia de agressividade e groove. Através de constantes alterações de ritmo, quebras que fluem com naturalidade, alternando entre o peso e a melodia dos riffs, a agressividade e melancolia da voz soltando versos em alemão, foram conquistando algum publico e poderá dizer-se que não terão deixado ninguém indiferente à sua presença em palco. A vocalista é a montra e o reflexo mais capaz da sua música, uma presença e uma atitude capaz de nos ficar na memória mesmo para aqueles que não se tenham sentido particularmente tocados pela música do grupo.
‘Koma’ e a calma mas cheia de intensidade dramática ‘Scar’, foram os temas em destaque, de uma atuação que trouxe mais movimento à sala e que lhes valeu aplausos no momento que abandoaram a sala.
               

Era vez de uma horda de cossacos russos invadirem o Lisboa ao vivo, com um novo álbum “The Legacy of Atlantis” para dar a conhecer.
Apresentando-se num estilo de ópera metal, sem esconder as influências daqueles que se seguiriam, com foco na voz masculina de Alexander "Aor" Osipov, muito bem apoiado pelas vocalistas Jane "Corn" Odintsova e Anna "Kiara" Moiseeva, particularmente Anna, capaz de por vezes roubar para si o papel de “atriz” principal, os Imperial Age depararam-se com uma casa muito bem composta, não só com fãs de Therion mas também muitos seus. Estabelecendo assim, nesta primeira passagem por Portugal, uma relação muito positiva com o público, galvanizando-se mutuamente.
                
O seu som por vezes soa a medieval, por vezes remete-nos para outras eras, conseguindo impregnar em cada nota que tocam um tom épico que dá credibilidade as historias que narram. Como expectável o grande foco da atuação foi o mais recente álbum, bem recebido, apesar de o momento mais alto da atuação ter sido provavelmente uma das exceções a esse trabalho, ‘Anthem of Valour’ do álbum “Warrior Race” que atingiu a plateia como uma multidão de cavaleiros em choque numa qualquer batalha, antes de retornarem ao último trabalho e finalizarem a atuação com ‘And I Shall Find My Home’.Muitos aplausos acompanharam a saída dos russos de palco, ao mesmo tempo que crescia a ansiedade por quem se seguiria.
                
22 horas, casa cheia, um coro de gritos ergue-se com intensidade, Christofer Johnsson despreocupadamente surge no palco ao som das primeiras notas de ‘Theme of Antichrist’, primeiro single e tema do monumental trabalho que há mais de uma década ocupava um lugar na mente de Christofer e que se materializou no álbum triplo “Beloved Antichrist” com cerca de 3 horas e meia de música, com 29 personagens diferentes, projetado para ser interpretado por atores cantores num teatro musical.
Não seria desta vez que viríamos a interpretação ao vivo desse ambicioso projeto, mas a longa set list com 20 temas, iria permitir dar nos a conhecer um pouco desse teatro musical ao mesmo tempo que nos brindava com os clássicos indispensáveis para os fãs que há décadas seguem a banda. Fãs esses que em largo número cantavam com a banda o mais recente single, demonstrando que tanto no passado como no presente seguem o conjunto e já se familiarizaram com o mais recente álbum.
                
Com aplausos, metal horns e uma energia contagiante a plateia puxa pela banda, que intercala temas de “Beloved Antichrist” como ‘Temple of the New Jerusalem’, ‘ Bring Her Home’, ‘Night Reborn’ e ‘My Voyage Carries On’ com clássicos que percorreram a sua basta discografia. 
Rapidamente se percebeu que a noite era definitivamente deles, de tal modo que ao terceiro tema ‘Din’ com a presença de Elli Berlin em palco, já a plateia estava conquistada e estabelecida a ligação banda-público com perfeição, reagindo este a todos os apelos da banda, numa relação simbiótica que se superava sucessivamente, apogeu a apogeu a cada tema que surgia impactante entre os presentes. Ao virtuosismo dos músicos, juntava-se o perfeito jogo de vozes, reforçado com alguma teatralidade, particularmente nos novos temas, e um entrosamento entre os diferentes elementos que conduzia a uma presença em palco que não dava por perdido nenhum momento, um modo de comunicar que aproximava a banda da plateia. Thomas Vikstorm alegre e teatral, executante do conjunto e maestro da plateia, Chiara Malvestiti dona de uma assombrosa voz que encontra na voz de Linnéa Vikstrom a matéria que liga os três, devidamente alicerçada na secção rítmica onde um sorridente Christian Vidal não se limita a ser ator secundário e ao longo da atuação sempre brincalhão acrescenta mais um elemento de interesse a uma brilhante atuação do conjunto.
               
Quando saíram para o encore, a sala não se calou, gritando por Therion, explodindo num bailarico, com plateia aos saltos e a cantar ao som de ‘The Rise of Sodom and Gomorrah’ assim que estes surgiram novamente em palco, tendo as ultimas energias que sobravam sido consumidas pelo ultimo tema ‘To Mega Therion’.

Um obrigado à Notredame Productions por não ter deixado findar o mês de Fevereiro sem mais uma grande passagem internacional por Lisboa, brindando os fãs com grandes concertos e com a pontualidade que se exige particularmente a um dia de semana. Quanto aos Therion, prosseguem a Tour mais extensa da sua carreira, deixando já em Portugal muitas saudades.

Reportagem em parceria com a World of Metal
Texto: Henrique Duarte (SFTD Radio)
Fotos: Hélio Cristóvão (WOM).
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