07/12/2017

[Report] UNDER THE DOOM V: dia 0

Conseguir melhorar ainda mais um fim de semana já prolongado pelo feriado, é uma tarefa à altura da quinta edição do Under the Doom. Mais uma vez com um excelente cartaz, o festival continua a afirmar-se como uma referência para os apreciadores do género (e não só), apresentando este ano quinze bandas, distribuídas por três dias e pelas salas do RCA Club e do Lisboa ao Vivo.

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Dia 0 (30/Nov)


Na sexta-feira, dia 30 de novembro, a sala do RCA Club manteve-se com pouca afluência ao longo de toda a noite.

Aos chilenos The Mourning Sun coube a responsabilidade de iniciar o festival e de incentivar a entrada do público que ainda aguardava no exterior.

Com o ambiente ainda frio, a voz de Ana Carolina não se deixou intimidar e ecoou, límpida, como quem já se habituou a cortar o denso nevoeiro que todos os invernos cobre Santiago do Chile. A pulsação doom começou, lentamente, a dominar o ambiente, enquanto a melodia das teclas fazia suster a respiração. A vocalista ainda nos surpreendeu ao falar a língua de Camões, adocicada pelo sotaque brasileiro e pela satisfação de terminar em Lisboa a tournée europeia.

Os portugueses Painted Black são sempre muito aguardados por nós, ainda mais agora que já trazem na bagagem o novíssimo Raging Light, que ansiávamos por ouvir ao vivo.

E ouvimos, sim, três temas, numa atuação curta e com alguns imprevistos pelo meio, que roubaram injustamente o tempo de antena que o novo trabalho merece. Adorámos “Dead Time” e “The Living Receiver” mas ficámos ainda mais ansiosos por uma próxima oportunidade para apreciarmos o excelente trabalho das guitarras e as novas melodias deste tão aguardado álbum. A julgar pelos fortes aplausos que ouvimos, não seremos, decerto, os únicos.

Os italianos The Foreshadowing vinham muito motivados para a sua primeira atuação em Portugal.

Gostámos da força da voz de Marco Benevento, a ajudar à intensidade e melancolia doom. O ambiente que se forma com esta banda transmite alguma energia que escapa aos temas recorrentes no género. Por entre a tristeza e desolação dos cenários apocalíticos que a lírica sugere, espreita, ainda assim, uma réstia de luz e resiliência, envolta nos refrões fortes e nas palmas do público que, em vários momentos, se fizeram ouvir.. Ficou-nos no ouvido o tema Two Horizons, do último álbum Seven Heads Ten Horns (2016).

Os Earth Electric fecharam o primeiro dia do festival.
O recente projeto (2014) do norueguês Rune Eriksen, com a vocalista Carmen Simões (AVA INFERI), a que se juntou o baixista Alexandre Ribeiro (GROG e Neoplasmah) e o teclista progressivo Daniel Knight só podia gerar algo de desconcertante.

A verdade é que foram muito aplaudidos e o público reagiu positivamente ao toque progressivo e ao fantástico trabalho do baixista, do qual quase não desviámos o olhar. Aliás,  a sinergia criada entre Alexandre Ribeiro e o baterista Ricardo Martins é absolutamente brilhante.

Fecharam com chave de ouro a primeira noite Under the Doom e aqueceram o público para outras sonoridades e outro cenário, reservados para o dia seguinte.

Texto: Sónia Sanches
Agradecimento especial pela cedência das fotos ao Hugo Rebelo. Podem encontrar todas na sua página em Hugo Rebelo Fine Art Photography
Vídeo: Canal Youtube xxxgorexxx 

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