09/11/2017

[Report] Omnium Gatherum + Skálmöld + Stam1na @ RCA Club, Lisboa


Talvez devido à  passagem da tour The Arctic Circle Alliance – Chapter One por Lisboa, sentimos finalmente os pingos de chuva que já tardavam e o arrefecimento noturno  digno do mês de novembro. Foi este o ambiente que recebeu as três bandas vindas do frio e o público que esteve presente na passada sexta-feira, dia 3 de novembro, no RCA Club, na qual tivemos direito a uma pequena percentagem do índice de felicidade que estes nórdicos ostentam.


Apesar do anúncio de uma hora de atraso para o início dos concertos, devido à súbita precipitação, o público fazia fila para entrar por volta das 20h30m. Não vimos casa cheia, é um facto, mas vimos uma assistência  constante, que se manteve, praticamente inalterável, durante as três atuações.


E, assim, às 21h, os finlandeses Stam1na subiram ao palco e descarregaram de imediato a sua energia e boa disposição.

De sorriso nos lábios, não trataram só de aquecer o ambiente, mas também de demonstrar por que razão são aclamados pela crítica finlandesa desde o seu álbum de estreia, em 2005, tendo obtido vários prémios, bem como a  permanência nos primeiros lugares do top de música na Finlândia, chegando a vender mais que os HIM.

Com mais de vinte anos de carreira, a banda apresentou temas incluídos, quer no seu álbum de estreia, quer no seu trabalho mais recente, Elokuutio, de 2016, sobrevoando ainda os seus outros trabalhos.

Conhecidos pelas  preocupações ambientais e defesa dos direitos humanos, patentes na lírica, a banda transmite, ainda assim, otimismo. 

Sempre a incentivar à participação dos presentes, por entre os quais detetámos umas quantas t-shirts da banda, os Stam1na puseram a sala do RCA ao rubro, com muitas palmas e gritos de entusiamo.

Destacamos a rapidez do thrash, alternando com momentos mais melódicos, nos quais brilhou o trabalho dos dois guitarristas; os momentos em que ouvimos quatro vozes; e os refrões animados com a participação do público, que, aliás, já parecia saber falar finlandês… e até islandês, como vimos mais tarde.



Os islandeses Skálmöld eram muito aguardados pelo público. Para além de vermos várias t-shirts vestidas na assistência, ouvimos gritar pela banda, mesmo antes de a mesma surgir no palco.



Com os temas integralmente cantados em islandês, seria uma proeza entendê-los, portanto, da lírica, sabemos pouco, para  além da influência da literatura tradicional islandesa e da mitologia nórdica. 


Sabemos, sim, que, ao soar a melodia de Gleipnir, instalou-se o ambiente festivo, permitindo ao espírito folk tomar conta da sala. O público participou ativamente durante toda a atuação, acompanhando as melodias, com palmas e voz, que até de islandês nos pareceu que entendia. Surpreendidos ficámos nós com o conhecimento que revelou da banda e dos seus temas, e com todo o entusiasmo que observámos. De qualquer forma, era impossível ficar indiferente a um baterista que permanece  com um sorriso nos lábios durante um concerto inteiro, às interpelações bem dispostas do vocalista, sempre a interagir com o público, ou à feliz simplicidade dos pés descalços do baixista e de um dos guitarristas.

Destacamos ainda a interpretação de Höndin sem veggina klórar e o final com  Kvadning, tema bem conhecido de todos.

Os finlandeses Omnium Gatherum fizeram bom uso do ambiente caloroso que já aquecia a sala. 

Ao longo dos doze temas que compunham a setlist (mais dois em encore), deliciámo-nos com este death metal melódico que consegue confundir-nos ao apresentar-se envolto na temática pesada e densa que lhe serve de base e, ainda assim, transmitir uma aura de positividade, emitida em cada uma das notas que compõem as extraordinárias melodias de temas como The Unknowing, Formidable, ou Frontiers.

Desde o início da atuação, a inexcedível beleza da carga melódica emanada das guitarras interfere nas emoções do público, estabelece relação com ele, tornando-o recetivo à mensagem, sensível aos pormenores. 


A tudo isto, não é alheia a capacidade comunicativa do vocalista, em interação frequente com o público, apelando às palmas e ao acompanhamento dos temas.

Temas como Nail e The Sonic Sign conseguem romper a harmonia das melodias fortes de outros títulos e oferecem um ambiente diferente, mais agressivo e com um ritmo mais rápido. Por esta razão, o concerto não se tornou aborrecido, mas antes ativo, bem disposto e variado.

Metade da  setlist compôs-se de temas pertencentes ao  álbum Beyond, de 2013, e os restantes distribuídos pelos álbuns New World Shadows (2011), Redshift (2008) e Grey Heavens (2016), incluíndo ainda o recente single Blade Reflections.

Terminou assim a passagem da tour The Arctic Circle Alliance – Chapter One por Lisboa, deixando o frio que, finalmente, veio para ficar e proporcionando-nos uma excelente noite, da qual lamentamos apenas a casa pouco cheia, muito embora o extraordinário ambiente tivesse compensado largamente a falta de público.

Texto: Sónia Sanches
Agradecimentos: Amazing Events
Fotos: Sónia Ferreira/World of Metal  ao quais agradecemos pela cedência das fotos (todas as fotos e report WOM podem ser encontradas aqui: Fotos Skálmöld | Fotos Stam1na | Report )

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