01/06/2017

[Report] Asphyx + The Ominous Circle + Besta @ RCA Club

O terceiro e último "aquecimento" (dos inicialmente programados*) para o Vagos Metal Fest teve lugar dia 27 de Maio no RCA CLUB em Lisboa e, tal como nos dois anteriores, a SFTD Radio marcou presença.

Os primeiros a subir ao palco foram os portugueses Besta que com o seu som pujante aqueceram uma plateia já bem composta.
Uma chapada sonora que fez mais efeito que aquela bica depois de jantar...
Sendo um belo exemplo de uma banda que vai além fronteiras, os Besta (que são um dos nomes a não perder no Resurrection Fest) já deixaram a sua pegada no underground português faz algum tempo mas continuam a demonstrar uma intensidade surpreendente.
Paulo Rui demonstrou-se frenético do início ao fim não deixando ninguém indiferente. Mesmo aqueles que não tenham a velocidade do Grind no seu leque de gostos primordiais. Uma conquista a ser aplaudida.

Seguiu-se a estreia dos The Ominous Circle na capital. 

Os mais atentos sabiam que esta era uma banda que tem vindo a recolher boas críticas em relação ao seu álbum de estreia (Appalling Ascension). Pelo número de pessoas que não cedeu a se deixar ficar pela entrada a pôr a conversa em dia, podemos dizer que já são um número assinalável.
De caras tapadas, ao género dos MGLA mas mais clericais, o negrume visual aliou-se ao som assombroso que mistura Black e Death de uma forma que não passou ao lado nem da Metal Injection que lhes deu um incrível 9,5 neste tiro de partida de uma banda portuguesa ainda desconhecida de grande parte do público.

Em Lisboa apresentaram um autêntico ritual que absorveu atenções de forma hipnótica. É possível que muitos tenham ficado com a ideia de que a banda primou mais em álbum que no palco do RCA. The Ominous Circle provou que não é, de todo, um metal easy listening. A banda espelhou bem que é o tom gélido das suas composições malignas que sobressai. As caras tapadas são mais que elementos decorativos, são uma afirmação. Dizem não a individualizar os seus membros e de forma bem estruturada pois de facto é no todo que este primeiro álbum se demonstra forte.
Algo a apontar? Talvez uma introdução exageradamente prolongada ("Heart Girl With a Serpent").

O prato principal era sem sombra de dúvidas o regresso dos Asphyx ao nosso país.

O seu Death Metal fez compor o RCA Club que, mesmo sem estar cheio, alcançou um maior número de pessoas que os suecos Entombed AD no Stairway Club.
Não sendo um dos primeiros nomes do género que nos possa vir à memória, a banda holandesa não peca em nos ofertar um leque de música do agrado daqueles que têm no género as bases do seu metal mais extremo, especialmente perante aqueles que gostam de o apimentar com alguns elementos Doom...
Com Incoming Death, ainda fresco e aplaudido pela critica, o quarteto conquistou Lisboa com um concerto que primou tanto pelo peso como pela simpatia do frontman Martin Van Drunen.

Abrindo com "Vermin" ficou logo à partida implícito que o foco no mais recente álbum não retiraria lugar aos temas chave de uma carreira que, mesmo não sendo continua, tem anos suficientes para atingir diferentes gerações de metaleiros.

Com som poderosamente coeso, relembraram o porquê de terem sido um dos nomes mais aplaudidos do SWR Barroselas 2012.
"Division Brandenburg", "Wardroid", o single "Forerunners of the Apocalypse" foram temas que fizeram jus ao propósito desta passagem pelo nosso país. De qualquer forma, quem buscava temas ainda da década de 90 foi premiado com meia dúzia de músicas repartidas entre Last One on Earth e The Rack deixando, legitimamente, os 4 álbuns de estúdio em que Van Drunen não se apresenta nos vocais de fora.
Claros destaques para "M.S.Bismarck", "Asphyx (Forgotten War)" e "Wasteland of Terror".

"Death the Brutal Way" partiu pescoços quer no seu ritmo frenético como nos momentos mais groove. Uma noção de ritmo que não necessita de grandes pormenores técnicos para convencer quem tenha no seu metal uma proximidade maior de uns Obituary do que uns Death.

Muito comunicativo, o vocalista demonstrou o seu apreço não só pela gastronomia portuguesa como o reconhecimento da "cena" portuguesa chegando a citar Decayed antes de atacar a muito aplaudida "Deathammer".

Ouviu-se "Portugal!! Portugal!!" na plateia. Especialmente quando os presentes foram desafiados a competir contra os madrilenos que assistiram aos Asphyx na noite anterior.

"The Rack", de tão óbvia nesta carreira que é, foi enunciada com um simples "se não conhecem esta não sei o que estão aqui a fazer"...
"Death: The Only Immortal" e "Last One on Eart" foram servidas numa despedida bastante aplaudida.
Com o aquecimento feito já só nos resta contar os dias para o main event... No final de contas estes foram apenas Warm Ups e nós já há muito que aguardamos aqueles três dias de Vagos Metal Fest e que este ano conta com um cartaz bastante eclético e ousado. 
Lá estaremos!

Outras Reports Warm Up Vagos Metal Fest;
-Entombed A.D. + Okkultist @ Stairway Club
-Suidakra+Vendetta FM+Dark Oath @ Stairway Club

Texto: Tiago Queirós
Fotos: Loudness Magazine / Jorge Pereira Photography in Motion (aos quais agradecemos a gentil cedência das mesmas para este artigo). 
Podem encontrar a galeria completa aqui.

*Foi recentemente anunciado mais um warmup, que terá lugar já este sábado, dia de 3 Junho, em Vagos, trazido pelo Blindagem, com Painted Black, Dark Oath, In Vein e Diesel Humm. Sabe tudo do evento aqui.

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