05/04/2016

[Report] Apresentação de "Tarot of the Bohemians" dos Heavenwood em Lisboa


No passado sábado, 2 de Abril, os Heavenwood vieram ao RCA Club, em Alvalade, apresentar The Tarot of the Bohemians (Part 1), o novo álbum, lançado em Fevereiro pela Raising Legends Records. Para acompanhá-los nesta festa de lançamento, estiveram também os Legacy of Cynthia, Tó Pica e Ibéria.
É no rescaldo dessa noite memorável que percebemos como é difícil escrever sobre um evento que se revelou excelente desde o primeiro minuto e do qual fizemos questão de aproveitar cada momento como qualquer elemento do público que encheu a sala. Fica aqui o resumo possível do que nos ficou gravado na memória.

LEGACY OF CYNTHIA
Chegámos a pensar que às 21h de uma noite chuvosa e fria, poucas pessoas iríamos encontrar no RCA Club. Muito nos enganámos, pois os Legacy of Cynthia já tinham uma sala bem composta à sua espera e, quando entrámos, já o vocalista Peter Miller tinha o palco por sua conta, desta vez de camisa estampada e laço, para não nos habituarmos a outras indumentárias invulgares com que já nos brindou. 
A banda de Sintra, que já acompanhamos desde o lançamento do álbum Renaissance (2014), continua a surgir cada vez mais forte e mais confiante. Entre outros, apresentaram temas desse mesmo álbum, tais como The end of the days ou Seven sins, para além de uma música nova, ainda sem título, a demonstrar que continuam em processo criativo. Foi um excelente concerto de abertura, protagonizado por uma banda motivada, sempre em evolução, e da qual já ansiamos por trabalhos novos.



TÓ PICA
E como os tempos de espera entre os concertos foram curtos, ainda mal recuperávamos de Legacy of Cynthia, já subia ao palco Tó Pica com David Pais (voz), Arlindo Cardoso (bateria), Sérgio Melo (guitarra) e Pedro Martinho (baixo) para a apresentação de temas do ainda recente Is this the best you can do? (2015), projecto  do guitarrista que dispensa apresentações. 
A sala, já cheia, vibrou sob o domínio da guitarra de Tó Pica, que nem precisa de falar (delegou essa função em David Pais), mas que revelou grande cumplicidade com os restantes músicos que o acompanham. Sente-se que tudo o que é produzido por estes músicos em palco transborda de emoção e é resultado de grande empenho e amor à música, conjugados com grande dose de talento. É claro que temos as nossas preferências de entre os temas que compõem este álbum e, por isso, ansiávamos por All access denied, My time has come ou Binding the distance, que não nos decepcionaram. Mas o tema Espelho ultrapassou as nossas expectativas com a interpretação fabulosa de todos os músicos e, especialmente, de David Pais, que emprestou a voz e a expressão corporal, plenos de carga emotiva, a uma composição que atingiu, assim, um nível próximo da perfeição.



IBERIA
Fazemos vénia aos Ibéria que, a praticar hard rock desde 1986, ultrapassando crises internas e oito formações até à actualidade, ainda conseguem surpreender com temas novos, compatíveis com um público heterogéneo em idade e em preferências dentro do género metal. 
Apresentaram uma setlist que não cansou nem desmotivou a casa cheia do RCA Club, bem pelo contrário. O público teve direito a temas que remontam a 1986 e 1987, como Hollywood e Warriors, e a outros mais recentes, como Angel (Revolution, 2011) e Living a Lie e God’s Euphoria, ambos a serem incluídos no próximo álbum. A verdade é que o público reagiu com entusiasmo a todos eles e ouvimo-lo cantar os refrões de temas mais antigos. Destacamos a energia e interacção com o público por parte do vocalista Hugo Soares, e a interpretação de Unfaithful guitars (Ibéria, 1988), num momento em que os guitarristas brilharam.


HEAVENWOOD
E, apesar das transições rápidas entre as bandas convidadas, os Heavenwood só subiram ao palco por volta das 00h30m, com a sala cheia de público já ansioso.
Inteligentes na escolha da setlist, apresentaram temas mais antigos e marcantes da sua carreira, a fazer o gosto ao público conhecedor do seu percurso, alternados com sete temas novos, pertencentes ao novo The Tarot of the Bohemians (part 1). Strength foi, assim, a primeira carta a sair do baralho, a lembrar, certamente, a determinação e a coragem presentes neste novo trabalho. O agradecimento do vocalista Ernesto Guerra ao público e convidados deixou transparecer a satisfação com que a banda rumou à capital para partilhar o resultado do seu esforço e dedicação.
Foi assim, perante um público a acompanhar entusiasticamente todos os momentos do concerto, que se apresentaram, entre outros, temas antigos como Morning Glory Clouds (Abyss Masterpiece, 2011) Emotional Wound (Diva, 1996), Bridge to Neverland (Redemption, 1998) ou Frozen Images (Diva, 1996), este último aclamado pelo público no momento em que foi anunciado. Quanto à interpretação de Rain of July (Swallow, 1998), podemos afirmar que gerou alguns dos melhores minutos do concerto, com o público a acompanhar fervorosamente a banda.
Sobre os temas do novo álbum, temos a dizer que nos soam ainda melhor ao vivo, num conjunto mais forte e, simultaneamente, mais harmonioso, formado pelas vozes e os restantes instrumentos. A interpretação de The High Priestess, pela qual ansiávamos, foi um momento perfeito, em que pudemos apreciar ainda melhor a voz de Sandra Oliveira (Blame Zeus), que também abrilhantou o tema The Lovers e que esteve com grande à-vontade em palco. Na verdade, conservando ainda no ouvido a intensidade da bateria de Eduardo Sinatra e da guitarra de Ricardo Dias, podemos afirmar que todos os temas saíram a ganhar com a interpretação ao vivo. Já bem conhecido de todos, The Juggler não foi excepção e, com The Emperor, The Chariot e The Empress, completou-se a selecção de temas do novo álbum. Houve encore, pois claro, o que nos permitiu ainda ouvir Frithiof’s Saga (Diva, 1996), tema que raramente tocaram ao vivo, e Suicidal Letters (Swallow, 1998).
Mais de uma hora e meia de concerto, que valeu cada minuto. E como The Tarot of the Bohemians não está ainda completo, resta-nos aguardar as próximas cartas. Até breve \m/.




Texto: Sónia Sanches
Fotos/vídeos: Nuno Santos >> Todas as fotos aqui <<
Agradecimentos: Raising Legends (André Matos)

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