11/08/2013

Vagos Open Air 2013 - Reportagem 2º Dia


 
O sol acordou bem quente em Vagos e para muitos nada saberia melhor que um salto à praia para refrescar. No entanto e apesar de mais uma vez a organização do festival proporcionar camionetas gratuitas para ir e vir da praia e que passavam de hora a hora, não foram muitos os aderentes. Penso que a falta de informação estará associada a essa fraca aderência. Nada que não possa ser melhorado para a próxima.

Neste segundo dia verifiquei que o número de pessoas tinha aumentado considerávelmente. Agora sim, ao contrário da véspera, o recinto e o espaço exterior estavam o que se pode chamar de muito bem composto. Até porque estava previsto um dia de música mais direccionada para o metal old school, o que, associado ao facto de ser sábado, tenha talvez atraído um maior número de fãs.

Para abrir as hostilidades, tivemos a banda portuguesa Web. Esta banda oriunda da cidade invicta e inicialmente idealizada por alguns roadies de Tarântula, demonstraram-se consistentes, enérgicos e provaram porque se mantêm no cenário trash metal português mesmo após os 25 anos de existência. Para quem ainda não tinha recuperado da véspera e não chegou a tempo de os ver, perdeu a grande oportunidade de os ver em palco. Foi a banda que às 17h da tarde começou por dizer “Boa noite Vagos” e com a sua música e presença aqueceram bem o público para o que se avizinhava. Um dos temas mais fortes da “noite” foi (In)Sanity.

Seguiram-se os icónicos Tarântula, a banda que tanta influência teve no cenário metal nacional entre os anos 80-90. Abriram com o tema After Life, do seu último álbum Spiral of Fear, tendo reacção imediata do público. Estiveram sempre animados, bem-dispostos e transmitiram essa satisfação nos riffs e na energia que emanavam do palco. Por entre temas mais recentes e outros mais antigos, não deixaram ninguém indiferente, conseguindo agitar a multidão.


A tarde foi avançando até ao momento de subirem ao palco os gregos Rotting Christ.
 
A banda de Dark Metal marcou a diferença, com a garra e poder em palco conseguiram prender e agitar os presentes. Foram desfilando temas recentes intercalados com outros mais antigos, sendo que um dos mais fortes terá sido o Societas Satanas, em que o público gritava e agitava-se a cada batida enérgica que estremecia do palco. Com uma assistência plenamente satisfeita, terminaram com um tema do seu último álbum, Noctis Era.
 
Metade do dia já tinha passado e apesar de já se sentir algum cansaço, o público queria mais. Foi então chegada a vez dos norte-americanos Iced Earth. Esta é uma banda que foi formada pelo guitarrista e compositor John Shaffer e que tem demonstrado porque se destacam no cenário metal. Do palco emanava poder, energia e uns riffs, que anexados aos momentos melódicos criaram uma reacção muito positiva no público, que tanto se agitava como cantava em uníssono com a banda. Após o tema Anthem, toda a banda saiu mas regressou pouco tempo depois para um Encore de três temas, sendo o último Iced Earth. No entanto o público não queria que o concerto ficasse por ali e continuaram a aplaudir e a clamar pelo regresso da banda. Para sua satisfação regressaram ainda para tocar mais um tema, The Hunted.



Algumas imperiais depois e mais um curto intervalo para recarregar energias, subiram ao palco Gamma Ray. Os alemães vieram substituir os Saxon, que devido a um acidente grave que deixou o seu vocalista, Biff Byford com lesões graves, tiveram de cancelar o concerto. Tiveram uma boa receptividade e o público deixou-se envolver na sua música e energia. Master Of Confusion, um tema do seu último EP foi seguida por Empathy, mas foi em Rise que o público atestou a sua satisfação. A banda pareceu muito satisfeita com o público que encontrou e fez questão de tocar um tema que já não tocavam ao vivo há muito tempo, do seu álbum, originalmente de 95, Land Of The Free. Tocaram ainda a cover de Helloween, Future World e após saírem do palco regressaram ainda para mais um tema.




A noite ia já avançada e o cansaço já se fazia sentir, quando os americanos Testament, cabeças de cartaz, deram início ao seu concerto. Apesar do cansaço notório por parte do público, houve uma grande ovação logo no seu segundo tema, More Than Meets The Eye, seguido de Native Blood igualmente participativo. O público agitou-se ao som do old school trash metal que Chuck Billy, o vocalista, não parou de perguntar se era o som que queriam ouvir. 
 
Chuck elogiou o público português e ia pedindo cada vez mais a participação dos presentes. Tocaram o tema Into The Pit que segundo o vocalista foi escrito para todos os “doidos por aí”, apontando para o público que se ia agitando na frente do palco. Durante o concerto, o vocalista ía tocando no seu suporte de microfone como se estivesse a tocar guitarra e mandando palhetas para o público. Após o tema Alone In The Dark, mais uma vez Chuck pediu a participação dos presentes, desta vez pretendia que gritassem tão alto que os seus amigos em São Francisco, Califórnia, conseguissem ouvir. Pareceu-me que havia falta de fôlego, mas quando os instrumentos pararam de tocar e se ouviu a ovação geral, comprovou-se que estavam à altura. Terminaram com Over The Wall, que o vocalista mencionou ter sido o tema usado para um videoclip ilegalmente filmado em Alcatraz e que conseguiram que passasse. Após a sua saída de palco e apesar de o público ter ainda aclamado pelo regresso da banda, não houve Encore.

Terminados os concertos, foi a vez de dezenas de resistentes dirigirem-se para a frente do pequeno palco perto da entrada, para ao som de temas clássicos terminar o festival em grande.

É também de salientar a boa evolução nesta edição do Vagos Open Air, tanto a nível da organização como a nível de qualidade de som. Portanto, esperemos que continuem assim e que para o ano possamos repetir a dose. Até lá!


Reportagem: Miriam Mateus
Fotos: Nuno Santos (todas as fotos no facebook da SFTD)

---> Report do 1º dia <---

10/08/2013

Vagos Open Air 2013 - Reportagem 1º Dia

 
A Quinta do Ega foi o local escolhido este ano para acolher mais uma edição do Vagos Open Air. Esta quinta situada mesmo no centro de Vagos foi sem dúvida um local apropriado para o efeito, não só pelo seu espaço, como pela forma como foi organizado para acolher as centenas de pessoas que se deslocaram a mais uma edição deste festival.

Chegada ao local, fiquei impressionada com a visão do recinto, do espaço de lazer e a zona do acampamento. Estava tudo muito bem organizado e o espaço era verde e aprazível. Conforme ia descendo a rampa de acesso ao festival ia vendo o fluxo de pessoas, algumas ainda acomodando-se no acampamento, outras nas esplanadas que se encontravam à entrada do recinto. Aparentemente havia menos pessoas que no ano anterior, ou a configuração do espaço dava essa ilusão ou de facto o número de pessoas era inferior.

Para abrir o festival, subiram ao palco os portugueses Secret Lie. A banda que com pouco mais de um ano desde a sua primeira aparição pública, tem na sua formação músicos de outras bandas nacionais conhecidas, Pedro Teixeira, o formador da mesma e que pertence aos Corvos, Nuno Correia dos Forgotten Suns e Tó Pica dos Ramp. Apesar de ser uma banda um pouco mais comercial do que estamos habituados a ver nas edições anteriores, ficaram acima das expectativas e foram muito bem acolhidos pelo público presente a essa hora. Fizeram um alinhamento curto mas pesado. Do álbum começaram por tocar Sweet Sadness, Purify e de seguida um solo extenso de guitarra por parte de Tó Pica terminando com uma versão bem enérgica de Vivaldi. Apesar do pouco à vontade de Sara, a vocalista de 18 anos, fizeram uma prestação que mereceu os aplausos por parte do público. Terminaram com A Litle Taste of Fun.

Após um curto intervalo, seguiu-se a segunda banda portuguesa, Bizarra Locomotiva. A banda precursora do metal industrial em Portugal mais uma vez deu espectáculo. Para quem já está habituado a apanhar boleia nas várias ‘estações’ que a banda nos tem proporcionado, nota-se que a máquina está a funcionar cada vez melhor e é difícil não ficar contagiado com a energia que emanam. No tema Anjo Exilado, tiveram Tó Pica como guitarrista convidado e durante o concerto foram poucas as pessoas que não reagiram e pularam ao som da máquina. Mais uma estação bem sucedida.

A terceira banda a pisar o palco foram os finlandeses Moonsorrow. Esta foi a sua estreia em Portugal, apesar de já existirem desde 95. Subiram ao palco em tronco nú e como se estivessem ensanguentados. Tiveram uma boa reacção por parte do público e mostraram-se consistentes e com presença. O seu toque viking ao metal pesado que apresentam está muito bem conseguido e cativaram quem se encontrava na assistência.

Mais um curto intervalo e foi a vez da quarta banda se apresentar no palco. Evergrey, a banda sueca de metal progressivo, começou o seu concerto com velocidade, peso e energia. Os seus temas pesados e obscuros foram ganhando densidade à medida que o concerto avançava, coincidindo com o dia que também ia escurecendo. Após agradecerem ao público o seu respeito e solicitando igualmente o mesmo para as bandas que ainda iriam tocar, terminaram com The Touch.

Sonata Arctica foi a penúltima banda a subir ao palco. A banda finlandesa de power metal veio aparentemente quebrar um pouco o ritmo do que estávamos habituados a ouvir até ao momento neste primeiro dia. No entanto a banda demonstrou grande qualidade e poder. A melodia de peso anexada à voz poderosa e limpa do vocalista cativou os apreciadores de música de qualidade e complexa. Tony Kakko, o vocalista, dirigiu-se ao público perguntando se já alguém esteve “In Love” porque ele já escreveu muito sobre isso, no entanto, o tema que se seguia falava de um amor que acabou tragicamente mal. Terminaram com grande intensidade e receptividade por parte do público.
Mais um curto intervalo e os cabeça de cartaz, os italianos Lacuna Coil, subiram ao palco. A vocalista Cristina, chegou cheia de energia transmitindo-o com a sua linguagem corporal. O público reagiu muito rapidamente à energia que transmitiam e iam acompanhando os temas com entusiasmo. Logo após o terceiro tema, Andrea falou com o público, dizendo que já não vinham a Portugal há 10 anos e que agradeciam a recepção. Tanto a banda como os presentes sentiram o intercâmbio de energia e não ficaram indiferentes. Cristina garantiu que não iam ficar tanto tempo como desta última vez, sem regressar a Portugal, até porque está previsto o lançamento de um novo álbum e isso faz com que seja mais rápido o seu regresso. Imediatamente antes do tema Fragile, Cristina quis testar a receptividade do público com um pequeno teste vocal que o público respondeu com o maior empenho. Seguiu-se os temas End of Time e I Will Survive. Para apresentar o tema seguinte Cristina fala-nos de amor, mas de um amor diferente, associado ao sofrimento, o retratado em Intoxicated

O final do alinhamento estava reservado para a cover de Depeche Mode, Enjoy The Silence, momento em que uma grande parte do público cantou em uníssono com a banda. Saíram do palco mas regressaram ainda para um Encore de três temas. Terminaram em grande e intensamente com Spellbound.

E assim terminou para alguns o primeiro dia de Vagos Open Air. Para outros a noite seguiu-se para o pequeno palco que se encontrava à entrada do recinto de onde foram passando temas pesados para encher a noite.

Reportagem: Miriam Mateus
Fotos: Nuno Santos (todas as fotos no facebook da SFTD)

---> Report do 2º dia <---

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